Leilão histórico garante 19 mil MW e reforça segurança energética do Brasil, diz governo

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

O Brasil realizou nesta quarta-feira um leilão considerado histórico para o setor elétrico, com a contratação de 18,9 mil megawatts (MW) de potência para reforçar a segurança do sistema energético nacional. O certame, promovido pela Agência Nacional de Energia Elétrica, pelo Ministério de Minas e Energia e pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, reuniu 100 projetos vencedores.

Ao todo, foram registrados 29,7 mil MW de potência instalada, com impacto financeiro expressivo: R$ 515,7 bilhões em receitas, R$ 64 bilhões em investimentos e uma economia estimada de R$ 33,6 bilhões. A primeira etapa do leilão ocorreu de forma online, com base operacional na sede da CCEE, em São Paulo.

O leilão de reserva de capacidade tem como principal objetivo garantir que o país disponha de energia suficiente para atender momentos críticos de demanda, como no início da noite, além de evitar riscos de desabastecimento no Sistema Interligado Nacional.

O contexto internacional também influenciou o cenário do certame. A alta nos preços dos combustíveis, impulsionada pelas tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã — com impactos sobre o Estreito de Ormuz, importante rota global de petróleo — reforçou a necessidade de planejamento energético interno.

Durante o evento, o ministro Alexandre Silveira classificou o leilão como um marco para o país. Segundo ele, os contratos firmados devem solucionar o déficit de potência do sistema elétrico brasileiro pelos próximos anos.

De acordo com o ministro, a contratação antecipada de usinas termelétricas reduz custos em comparação com medidas emergenciais, além de ampliar a segurança energética. Ele também indicou que este pode estar entre os últimos leilões com foco em fontes não renováveis.

O certame contemplou principalmente usinas termelétricas movidas a gás natural e carvão, além de hidrelétricas. As térmicas, embora mais caras e poluentes, são essenciais em períodos em que as hidrelétricas não conseguem suprir a demanda.

Os contratos firmados preveem fornecimento de energia por 10 anos no caso das térmicas e 15 anos para hidrelétricas. Os valores negociados variaram conforme o tipo de empreendimento e o período de entrega, com preços definidos por megawatt disponível ao ano.

A forte concorrência marcou o leilão: 330 projetos se inscreveram inicialmente, somando mais de 120 mil MW de capacidade. A maioria das propostas veio de usinas a gás natural, seguidas por projetos a carvão e ampliações de hidrelétricas.

Entidades do setor acompanharam o processo com cautela. A Abrace Energia defendeu a realização do leilão para reforçar a segurança do sistema, mas alertou para o impacto tarifário. Segundo a entidade, volumes maiores de contratação podem elevar os custos para os consumidores.

O leilão desta quarta-feira faz parte de uma série de certames previstos. Um novo processo está programado para os próximos dias, com foco em usinas termelétricas movidas a óleo e biodiesel.

Após anos de debates, adiamentos e disputas judiciais, a realização do leilão sinaliza um avanço no planejamento energético do país, buscando equilibrar segurança no fornecimento e controle de custos em um cenário global instável.