
As negociações para tentar encerrar a guerra no Oriente Médio entraram em um novo impasse após o governo do Irã defender oficialmente sua proposta de acordo e rebater críticas feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Nesta segunda-feira, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, afirmou que a contraproposta apresentada por Teerã é “legítima, responsável e generosa”. Segundo ele, o Irã exige o fim definitivo da guerra, o levantamento das sanções econômicas e a liberação de ativos financeiros iranianos congelados por pressão norte-americana.
A declaração ocorreu um dia depois de Trump classificar como “totalmente inaceitáveis” as condições impostas pelo governo iraniano para um acordo de paz. O presidente dos Estados Unidos afirmou que não concorda com os termos apresentados por Teerã e indicou que as negociações seguem sem avanço concreto.
Entre as principais exigências do Irã estão garantias de segurança contra novos ataques, a soberania sobre o Estreito de Ormuz — rota estratégica para o transporte mundial de petróleo — e a suspensão das sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos.
Na questão nuclear, Teerã aceita interromper temporariamente o enriquecimento de urânio, mas rejeita desmantelar suas instalações nucleares. O governo iraniano também pede garantias de que o material nuclear transferido para outros países seja devolvido caso o acordo fracasse no futuro.
Os Estados Unidos, por outro lado, defendem limitações mais rígidas ao programa nuclear iraniano. Inicialmente, Washington exigia o encerramento total do enriquecimento de urânio, mas depois flexibilizou a proposta para uma suspensão de longo prazo. Ainda assim, o Irã não aceitou os termos.
Outro ponto de conflito envolve o controle do Estreito de Ormuz. Os norte-americanos querem garantias de que o canal não será novamente fechado pelo Irã, além de defender supervisão internacional sobre a região.
As divergências também atingem a produção de mísseis iranianos e o financiamento de grupos armados no Oriente Médio, como Hamas e Hezbollah. Teerã rejeitou qualquer limitação nesses setores.
O novo impasse acontece mais de um mês após o cessar-fogo firmado entre Estados Unidos e Irã, em abril, que tinha como objetivo abrir espaço para negociações diplomáticas e interromper os confrontos iniciados no fim de fevereiro.
A indefinição sobre um possível acordo voltou a impactar o mercado internacional. Com o aumento das tensões, o preço do petróleo registrou nova alta nesta segunda-feira, diante do receio de instabilidade no fornecimento global de energia.
