
O governo brasileiro rejeitou as críticas feitas pelos Estados Unidos sobre o enfrentamento às organizações criminosas no país. Em nota divulgada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), o governo afirmou que não existem falhas ou omissões no combate ao crime organizado transnacional.
A manifestação é uma resposta a um documento enviado pelo governo do presidente Donald Trump ao Congresso norte-americano. No texto, os Estados Unidos afirmam que o Brasil falhou no enfrentamento ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV).
Apesar da crítica, o Brasil não integra a lista dos 23 países formalmente identificados pelo governo norte-americano como grandes produtores de drogas ilícitas ou importantes rotas de trânsito do narcotráfico.
Estados Unidos cobram ações contra facções
No documento encaminhado ao Congresso, Trump afirma que PCC e Comando Vermelho representam uma ameaça crescente à segurança internacional e cobra do governo brasileiro medidas mais firmes contra as duas organizações.
O governo norte-americano sustenta ainda que as facções contribuíram para transformar o Brasil em um importante ponto do fluxo internacional de cocaína.
As duas organizações foram recentemente designadas pelos Estados Unidos como grupos terroristas. Essa classificação é uma decisão do governo norte-americano e não corresponde à classificação jurídica adotada pelo Brasil.
Governo brasileiro cita ações contra o crime organizado
Na resposta, o Ministério da Justiça afirmou que a avaliação norte-americana desconsidera medidas adotadas pelo Brasil nos últimos anos.
Entre as iniciativas citadas está a Lei Antifacção, sancionada em março de 2026, que aumentou penas para lideranças de organizações criminosas e estabeleceu novos instrumentos de combate às estruturas financeiras desses grupos.
O governo também mencionou dezenas de milhares de operações realizadas pelas forças federais e as ações do programa Brasil contra o Crime Organizado, lançado em maio deste ano.
Segundo o ministério, o programa reúne iniciativas para atingir financeiramente as facções, fortalecer o sistema prisional, aprimorar investigações de homicídios e combater o tráfico de armas.
Brasil destaca cooperação com os EUA
Outro argumento apresentado pelo governo brasileiro é a existência de cooperação entre Brasil e Estados Unidos no enfrentamento ao crime organizado transnacional.
O Ministério da Justiça citou uma proposta apresentada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao governo norte-americano em maio, envolvendo medidas conjuntas contra lavagem de dinheiro e tráfico de armas, além do compartilhamento de informações de inteligência.
De acordo com o governo brasileiro, ainda não houve resposta dos Estados Unidos à proposta.
Brasil ficou fora das classificações formais
Embora tenha sido alvo de críticas no texto norte-americano, o Brasil não foi incluído entre os 23 países classificados formalmente pelos Estados Unidos como grandes produtores ou importantes rotas de trânsito de drogas.
O país também não está entre os quatro governos que Washington classificou como tendo falhado de forma demonstrável no cumprimento de compromissos internacionais de combate ao narcotráfico.
O Ministério da Justiça afirmou que continuará adotando ações de inteligência, investigação, integração das forças de segurança e cooperação internacional no enfrentamento às organizações criminosas.
