Grupo dono do Habib’s entra em recuperação judicial com dívida de R$ 265 milhões

O Grupo Gennius, responsável pelas redes Habib’s, Ragazzo e Tendall, teve o pedido de recuperação judicial aceito pela Justiça de São Paulo. A companhia declarou uma dívida de R$ 265,2 milhões e agora inicia um processo de reorganização financeira para tentar preservar as operações e renegociar compromissos com credores.

Segundo as informações apresentadas à Justiça, a situação financeira foi agravada principalmente por três fatores: os impactos provocados pela pandemia de Covid-19, as mudanças nos hábitos dos consumidores e o aumento dos juros.

O Habib’s, fundado em 1988 em São Paulo, tornou-se uma das maiores redes de alimentação do país e atualmente possui quase 120 unidades. O grupo também controla aproximadamente 30 lojas do Ragazzo, seis churrascarias Tendall e outras empresas ligadas ao sistema de franquias e à estrutura operacional das marcas.

Um dos fatores apontados pelo grupo para explicar a crise foi o impacto da pandemia sobre restaurantes localizados em grandes centros urbanos.

As restrições de circulação diminuíram o fluxo de consumidores em regiões comerciais e shoppings. Mesmo após a retomada das atividades, parte desse movimento não voltou aos níveis anteriores.

A expansão dos modelos de trabalho remoto e híbrido também alterou a rotina de trabalhadores que antes frequentavam com maior intensidade áreas de grande concentração comercial.

Outra transformação apontada pelo grupo foi o crescimento dos serviços de entrega.

Com a popularização dos aplicativos e das plataformas digitais, mais consumidores passaram a pedir refeições em casa, reduzindo a frequência nos salões dos restaurantes.

Embora o delivery tenha ajudado a manter uma parcela das vendas, o grupo afirma que essa mudança também pressionou os resultados das unidades físicas e alterou a dinâmica do negócio.

O aumento da taxa básica de juros também contribuiu para agravar a situação financeira.

Segundo o grupo, empréstimos e outras dívidas utilizados para sustentar as operações ficaram mais caros com a elevação da Selic.

Com isso, uma parcela maior dos recursos gerados pelas empresas passou a ser destinada ao pagamento de juros e compromissos financeiros, diminuindo a disponibilidade de dinheiro para o funcionamento e os investimentos do negócio.

A recuperação judicial não determina o fechamento das unidades do grupo.

O mecanismo permite que empresas em dificuldades financeiras continuem operando enquanto negociam um plano para reorganizar suas dívidas e estabelecer novas condições de pagamento com os credores.

O Grupo Gennius informou que o atendimento ao público e as operações das marcas permanecem normalmente.

As unidades franqueadas, segundo a empresa, não fazem parte do processo de recuperação judicial.

A abertura do procedimento também não representa, de forma automática, demissões ou encerramento de contratos de trabalho. O objetivo da recuperação é justamente preservar a atividade empresarial enquanto o grupo tenta restabelecer o equilíbrio financeiro.