
O bairro Guarujá, na Zona Sul de Porto Alegre, começou a receber uma nova estrutura temporária para enfrentar possíveis elevações do nível do Guaíba. O Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) iniciou no domingo (30) a instalação de barreiras móveis destinadas à proteção contra inundações.
Os equipamentos permitem a montagem rápida de diques provisórios e poderão ser utilizados conforme a necessidade em situações de risco. A iniciativa integra as medidas de pronta-resposta adotadas pelo município para reduzir os impactos de eventos climáticos extremos.
O Guarujá está fora da área atendida pelo sistema permanente de proteção contra cheias da Capital e possui pontos situados em cotas baixas, o que aumenta a vulnerabilidade diante da elevação do Guaíba.
O Dmae investiu R$ 4,1 milhões na compra dos módulos. Se instalados em linha reta, os equipamentos são capazes de formar uma barreira com mais de oito quilômetros de extensão.
Outra característica do sistema é a possibilidade de empilhar os módulos. Dessa maneira, a estrutura pode ganhar altura conforme o nível de proteção necessário em cada local.
Segundo a prefeitura, a instalação no Guarujá integra o plano de contingência enquanto são estudadas intervenções permanentes para proteger o bairro.
A administração municipal afirma que uma solução definitiva deverá considerar a elevação da cota de proteção sem interromper a relação histórica da comunidade com o Guaíba. Por se tratar de uma intervenção de grande porte, o projeto é considerado de longo prazo.
As barreiras utilizam o sistema FlexMac DT, desenvolvido pela empresa italiana Maccaferri. A estrutura é composta por aço e uma malha de arame hexagonal de dupla torção.
Durante a instalação, essa malha recebe materiais impermeáveis, formando uma barreira para conter o avanço da água. Os módulos podem ser conectados tanto horizontalmente quanto verticalmente.
O equipamento é reutilizável e pode ser desmontado após o período de risco e instalado novamente em outros locais.
Além do Guarujá, os módulos poderão ser empregados em trechos considerados vulneráveis do atual sistema de proteção contra cheias que ainda aguardam intervenções definitivas.
Entre os locais citados estão o dique da Usina do Gasômetro e pontos das avenidas Ernesto Neugebauer, Assis Brasil e Caldeia.
Segundo o Dmae, tecnologias semelhantes são utilizadas para enfrentar inundações em diferentes países.
Enquanto não existe uma estrutura permanente no bairro, o Dmae também utiliza outras medidas emergenciais para diminuir os impactos das cheias.
Uma delas é o bloqueio físico das redes e dos canais de drenagem que conectam as ruas ao Guaíba, evitando que a elevação do manancial provoque o retorno da água para as vias.
Nessas situações, bombas móveis são instaladas para retirar a água da chuva acumulada nas ruas.
As medidas têm caráter paliativo e deverão permanecer como parte da estratégia de proteção até que sejam concluídos os estudos e definida uma solução permanente contra inundações no Guarujá.
