Dólar mais baixo impulsiona comércio e setor registra novo crescimento

Fernando Frazão/Agência Brasil

O comércio brasileiro voltou a apresentar crescimento em março, impulsionado principalmente pela queda do dólar e pelo aumento das vendas de produtos importados. De acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o setor avançou 0,5% em relação a fevereiro, registrando a terceira alta consecutiva e alcançando o maior nível da série recente. Na comparação com março do ano passado, o crescimento foi de 4%, enquanto o acumulado dos últimos 12 meses aponta expansão de 1,8%.

Os números fazem parte da Pesquisa Mensal de Comércio, divulgada nesta quarta-feira (13), e mostram uma trajetória positiva do varejo desde outubro de 2025. Segundo o analista da pesquisa, Cristiano Santos, mesmo com a pequena queda registrada em dezembro, o comércio mantém tendência de crescimento contínuo. O desempenho foi influenciado principalmente pelo comportamento do dólar, que perdeu valor em relação ao real e tornou os produtos importados mais baratos para empresas e consumidores brasileiros.

Entre os setores pesquisados, o destaque ficou para equipamentos e materiais de escritório, informática e comunicação, que cresceram 5,7% no período. O resultado foi favorecido pela redução no custo de produtos importados, já que muitos itens eletrônicos dependem diretamente da cotação da moeda norte-americana. Em março, o valor médio do dólar ficou em R$ 5,23, abaixo dos R$ 5,75 registrados no mesmo período do ano anterior. Com isso, empresas aproveitaram o momento para reforçar estoques e realizar promoções, estimulando as vendas no varejo.

Outras atividades também apresentaram crescimento, como combustíveis e lubrificantes, além de artigos de uso pessoal e doméstico. Mesmo com o aumento dos preços dos combustíveis provocado pelas tensões no Oriente Médio, a demanda permaneceu elevada, contribuindo para o avanço do setor. Em contrapartida, segmentos importantes como hipermercados e supermercados registraram queda de 1,4%, reflexo da inflação sobre os alimentos e da redução do poder de compra da população.

No comércio varejista ampliado, que inclui setores atacadistas e materiais de construção, o crescimento foi de 0,3% entre fevereiro e março. O resultado reforça a recuperação gradual do comércio brasileiro, sustentada pela melhora das condições cambiais, pelo consumo de bens importados e pela continuidade da demanda em diferentes segmentos da economia. Apesar dos desafios ligados à inflação e aos custos de vida, os dados indicam que o setor segue em trajetória de expansão ao longo de 2026.