PF faz buscas na Câmara e mira ex-assessora de Lira em investigação sobre “orçamento secreto”

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência

A Polícia Federal cumpriu, nesta sexta-feira (12), mandados de busca e apreensão na Câmara dos Deputados tendo como alvo Mariângela Fialek, ex-assessora do deputado Arthur Lira (PP-AL) e conhecida como “Tuca”. As diligências foram autorizadas pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito das investigações sobre a atuação de servidores e parlamentares no manejo de verbas do chamado “orçamento secreto”.

Segundo a PF, Tuca era responsável por enviar ordens a comissões internas determinando a liberação de emendas parlamentares sem identificação do autor ou do beneficiário final — prática que marcou o funcionamento das emendas de relator. Depoimentos de seis parlamentares e de uma servidora reforçaram a suspeita de que a ex-assessora encaminhava ofícios vinculados à Presidência da Câmara para redirecionar recursos, especialmente para Alagoas, estado de Lira.

A ex-assessora, que atualmente ocupa cargo no gabinete da liderança do PP, já havia tido seu sigilo telemático quebrado. No entanto, a PF relatou dificuldade para recuperar dados digitais, o que levou Dino a autorizar buscas físicas. O ministro afirmou haver indícios de que a investigada teria evitado fazer backup de informações sensíveis, mantendo documentos apenas em papéis ou equipamentos físicos.

Na decisão, o ministro destacou que os sinais apontam para uma “atuação contínua, sistemática e estruturada” na gestão das emendas de relator, razão pela qual a busca em dependências da Câmara seria necessária por ter “maior potencial probatório”. Dino também é relator da ação que levou o STF a proibir o modelo do orçamento secreto e a exigir transparência total sobre a destinação das verbas.

A investigação menciona ainda uma anotação feita à mão, encontrada pelos agentes, que coincidiria com o redirecionamento de recursos entre municípios. Em relatório parcial, a PF chamou atenção para o “incomum desapego à formalidade” na gestão das emendas, comparando o método a uma “conta de padaria”. Para os investigadores, a trajetória de Tuca desde 2020, ocupando cargos estratégicos por indicação de Lira, indica influência direta na manipulação das verbas.

O caso integra um conjunto de apurações em curso no Supremo sobre possíveis desvios e irregularidades no uso de emendas parlamentares oriundas do orçamento secreto, prática que marcou o período prévio à decisão da Corte que proibiu o modelo.