Terça-feira, 21 de maio de 2024

Uma laranja azeda

Laranja mecânica ficou muito mais famosa na sua versão cinematográfica do que no livro original de Anthony Burgess, lançado em 1962. Tão Tosko quanto o próprio personagem assim chamado, a linguagem trazida por Burgesse é infantiloide. Muito diferente da icônica cena de Malcolm McDowell chutando pessoas ao som de Singing In The Rain.

Um Fred Astaire da ultraviolência com muitas doses de moloko, assim todos um dia fomos em um dia de fúria. Mas o livro de Burgess não causa esse impacto. Ao que me lembre quando li a edição comemorativa de 50 anos de lançamento da obra, causa enfado, um certo e desconforto e doses de impaciência.

Esse desconforto advém de uma estranheza de quem já havia visto a obra-prima de Kubrick e não pedia nada menos do que perfeição da literária e primogênita composição feita por Burgess. Além disso, a mistura do léxico anglicano, com gírias descoladas da época e a língua da pátria russa, causam dificuldade para a continuidade fluida da leitura de Laranja Mecânica.

Não, a obra literária de Burgess não me comoveu, e ela realmente está muito aquém do produto audiovisual que leva esse mesmo nome, E, por óbvio, é originária da aula de mestre, a qual nós temos a petulância de analisar neste presente momento. Algo a aprender com toda a violência de nossas linhas e de nossos lastros? Sempre tiro lições mesmo que da barbárie.