
O Hamas anunciou nesta segunda-feira o encerramento da estrutura de governo que administrava a Faixa de Gaza desde 2007. A decisão representa uma mudança significativa na condução política do território palestino e prevê a transferência da gestão civil para um comitê formado por especialistas, responsável por coordenar os serviços públicos e a administração local.
Como parte da medida, o chefe do governo ligado ao grupo, Mohammed al-Farra, apresentou sua renúncia. A informação foi confirmada por Ismail Thawabta, diretor-geral do escritório de mídia administrado pelo Hamas, durante entrevista coletiva.
Apesar da dissolução do órgão governamental, funcionários técnicos responsáveis por serviços essenciais deverão permanecer em seus postos. A intenção é garantir a continuidade das atividades administrativas e evitar a paralisação de setores considerados fundamentais para a população.
Segundo representantes do Hamas, a decisão foi motivada pelo agravamento da crise humanitária provocada pelo conflito na região. O grupo afirma que o objetivo é reduzir os impactos causados pela guerra, pelas dificuldades na reconstrução, pelo bloqueio às fronteiras e pela permanência das operações militares israelenses em partes do território.
Em comunicado oficial, o porta-voz do Hamas, Hazem Qassem, declarou que a transferência da administração civil busca retirar justificativas para intervenções israelenses na Faixa de Gaza e reafirmou o compromisso da organização em entregar todas as responsabilidades relacionadas à governança do território ao novo modelo administrativo.
O Hamas controlava a Faixa de Gaza desde 2007, quando assumiu o poder após um confronto armado com o Fatah, principal grupo rival no cenário político palestino. Desde então, o território permaneceu sob administração do movimento, que é classificado como organização terrorista por diversos países, enquanto a Cisjordânia segue sob gestão da Autoridade Palestina.
A mudança ocorre em meio ao prolongamento do conflito na região e às discussões sobre alternativas para a administração de Gaza no período pós-guerra, tema que continua sendo acompanhado pela comunidade internacional.
