Mercado eleva previsão da inflação pela 14ª semana seguida e projeta cenário mais pressionado para a economia

Foto: Agência Brasil

O mercado financeiro voltou a revisar para cima suas projeções para a economia brasileira. De acordo com o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (15) pelo Banco Central, a expectativa para a inflação oficial do país em 2026 passou de 5,11% para 5,3%, registrando a 14ª semana consecutiva de aumento nas estimativas.

A principal justificativa apontada pelos analistas é o impacto das recentes tensões geopolíticas no Oriente Médio. O conflito elevou os preços internacionais do petróleo, provocando reflexos diretos sobre os combustíveis e aumentando as pressões inflacionárias no Brasil.

Apesar da elevação das projeções, o cenário pode ganhar novos contornos nos próximos dias. Após o anúncio de um acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, ocorrido no domingo (14), o petróleo iniciou a semana em queda nos mercados internacionais, o que pode aliviar parte das preocupações relacionadas aos preços da energia.

As expectativas para os próximos anos também sofreram ajustes. Para 2027, a previsão de inflação avançou de 4,03% para 4,10%, permanecendo acima do centro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, que é de 3%, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%.

O cenário de inflação mais resistente também levou o mercado a revisar as perspectivas para a taxa básica de juros. A projeção para a Selic ao final de 2026 passou de 13,5% para 13,75% ao ano. Para 2027, a expectativa avançou de 11,5% para 12%.

Atualmente, a Selic está fixada em 14,5% ao ano, nível considerado elevado e utilizado pelo Banco Central como instrumento para conter a inflação e controlar a demanda da economia.

Em meio ao cenário de juros altos, os economistas fizeram uma pequena revisão positiva para o crescimento da atividade econômica. A projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2026 passou de 1,91% para 1,96%.

Já a expectativa para 2027 foi mantida em 1,7%, indicando que o mercado ainda prevê um ritmo moderado de expansão da economia brasileira nos próximos anos.

Outro indicador que sofreu alteração foi a taxa de câmbio. A expectativa para o dólar no encerramento deste ano passou de R$ 5,15 para R$ 5,20. Para 2027, a projeção avançou de R$ 5,20 para R$ 5,25.

As novas estimativas reforçam a percepção de um cenário econômico ainda desafiador, marcado por incertezas internacionais, inflação persistente e necessidade de manutenção dos juros em níveis elevados para garantir a estabilidade dos preços.