Exportações da indústria gaúcha para a União Europeia disparam 53% após início do acordo Mercosul-UE

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A indústria do Rio Grande do Sul iniciou com resultados expressivos a nova fase de integração comercial entre o Mercosul e a União Europeia. No primeiro mês de vigência do acordo entre os blocos, as exportações industriais gaúchas destinadas ao mercado europeu registraram crescimento de 53% em comparação com maio do ano passado, alcançando US$ 302 milhões.

Os números, divulgados pelo Sistema Fiergs, mostram um acréscimo de US$ 105 milhões nas vendas externas em relação ao mesmo período de 2025. O desempenho também superou em mais de 41% a média registrada nos meses de maio dos últimos cinco anos, evidenciando uma forte expansão da presença dos produtos gaúchos no mercado europeu.

Para o presidente do Sistema Fiergs, Claudio Bier, os resultados reforçam o potencial do acordo comercial para ampliar oportunidades de negócios e aumentar a competitividade da indústria regional. Segundo ele, o momento exige que as empresas aproveitem a abertura de mercados por meio de estratégias comerciais, adequação logística e renegociação de contratos internacionais.

Grande parte do avanço foi puxada pelos frigoríficos, responsáveis por quase um quarto da expansão das exportações registradas no período. O principal destaque ficou por conta da indústria de carnes de aves, que registrou vendas de US$ 35,6 milhões para a União Europeia.

O resultado representa um crescimento superior a 200% em relação ao mesmo mês do ano passado e quase triplica a média observada nos meses de maio entre 2021 e 2025.

Especialistas apontam que parte desse desempenho pode estar relacionada à antecipação de compras por importadores europeus. Isso porque novas regras sanitárias do bloco europeu, que entram em vigor nos próximos meses, deverão ampliar as exigências de rastreabilidade e comprovação do uso de antimicrobianos na produção animal.

Embora o Rio Grande do Sul possua elevados padrões sanitários e não utilize as substâncias alvo das restrições, empresas e compradores podem ter acelerado negociações para reduzir riscos regulatórios futuros.

Mesmo desconsiderando os embarques do setor frigorífico, o desempenho das exportações permaneceu positivo. A indústria de transformação gaúcha exportou US$ 264 milhões para a União Europeia em maio, valor quase 29% superior à média histórica dos últimos anos.

O dado indica que os benefícios iniciais do acordo não ficaram concentrados em apenas um segmento, alcançando diferentes áreas da atividade industrial.

No panorama geral, as exportações da indústria de transformação do Rio Grande do Sul somaram US$ 1,4 bilhão em maio de 2026, crescimento de 7,7% na comparação anual.

Entre os setores com melhor desempenho destacaram-se a indústria de alimentos, com alta de 28,7%, e o segmento químico, que avançou 13,1%. Por outro lado, o setor do tabaco apresentou retração de 11,4%, reduzindo parcialmente o impacto positivo dos demais segmentos.

Enquanto as exportações avançaram, as importações registraram forte queda. As compras internacionais realizadas pelo Estado totalizaram US$ 825 milhões em maio, uma redução de 38% em relação ao mesmo período de 2025.

A diminuição foi influenciada principalmente pelos setores químicos, de petróleo e gás e de derivados de petróleo e biocombustíveis.

Os resultados iniciais reforçam as expectativas de que o acordo entre Mercosul e União Europeia possa abrir novas oportunidades para a indústria gaúcha, ampliando mercados e fortalecendo a presença dos produtos do Estado no cenário internacional.

Apesar dos desafios regulatórios e das exigências sanitárias que deverão entrar em vigor nos próximos meses, o desempenho de maio demonstra que as empresas gaúchas chegam bem posicionadas para aproveitar os benefícios da nova fase das relações comerciais entre os dois blocos econômicos.