Obras contra cheias na Zona Norte de Porto Alegre ultrapassam 70% de conclusão

Foto: Vinícius Morelli/PMPA

As obras de proteção contra cheias nos pôlderes 7 e 8, na Zona Norte de Porto Alegre, ultrapassaram 70% de execução. O projeto abrange uma área entre os bairros Anchieta e Sarandi e reúne intervenções nos arroios Passo das Pedras e Areia. O balanço foi divulgado pelo Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) neste domingo (16).

Iniciados no fim de junho, os trabalhos têm previsão de conclusão para o final de agosto. O investimento total chega a R$ 47 milhões e inclui tanto as obras civis quanto a aquisição de equipamentos, como bombas, eletrocentros e geradores.

No arroio Passo das Pedras, as equipes trabalham nos ajustes finais das galerias instaladas nas proximidades do rio Gravataí, que serão utilizadas na canalização do curso d’água. A retomada da construção do dique de proteção dependerá de condições climáticas mais favoráveis.

Já no arroio Areia, os serviços estão concentrados na preparação das galerias existentes para receber comportas móveis.

Projeto busca ampliar proteção contra novas cheias

Os pôlderes são áreas protegidas por diques e sistemas artificiais de drenagem. No caso das regiões 7 e 8, o sistema atende também o entorno do Aeroporto Internacional Salgado Filho.

Segundo o Dmae, as intervenções em andamento fazem parte de um conjunto de medidas destinadas a aumentar a capacidade de resposta da cidade diante de eventos de cheia.

Para as próximas etapas, o departamento propôs aos governos estadual e federal uma mudança na concepção do projeto. A proposta prevê a construção de uma grande bacia de amortecimento permanente e de duas novas Estações de Bombeamento de Águas Pluviais (Ebaps).

Na estrutura de proteção do Arroio Areia, equipes da Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (Smoi) trabalham na retirada de residências que estavam desocupadas na região do dique. As famílias que viviam na chamada Vila Dique foram atendidas pelos programas Compra Assistida e Estadia Solidária.

A reconstrução do dique será iniciada depois da conclusão da remoção das casas, da supressão vegetal e da retirada da rede elétrica existente. O formato definitivo das intervenções também dependerá da definição do projeto para os pôlderes 7 e 8.

No dique do Sarandi, o Departamento Municipal de Habitação (Demhab) continua acompanhando as famílias que vivem na área correspondente ao trecho 3. A última etapa de obras na estrutura, que possui dois quilômetros de extensão, será iniciada após a liberação da área.

Os trechos 1 e 2 já foram reconstruídos, totalizando 1,5 quilômetro de estrutura com cota superior a 5,8 metros em relação ao rio Gravataí.

O plano de resiliência climática também contempla as estruturas responsáveis pela drenagem urbana. Obras estão sendo realizadas nas Estações de Bombeamento de Águas Pluviais 1, 3, 4, 5, 6, 8, 10, 12, 17, 18 e 20.

Para as casas de bombas 2, 9 e 21, a licitação está prevista para setembro.

Entre as mudanças planejadas está a substituição de parte das bombas verticais por equipamentos submersíveis, considerados mais adequados para situações extremas. Os painéis de comando também serão elevados e os geradores passarão a ter instalação permanente.

Além disso, está em andamento a implantação de uma segunda alimentação de energia elétrica em 37 estações do Dmae, incluindo 22 casas de bombas de drenagem urbana. O projeto, executado pela CEEE Equatorial, representa investimento de R$ 18 milhões e tem previsão de conclusão em novembro.

As intervenções contra cheias também avançaram em diferentes pontos da Capital.

As obras nas Estações de Bombeamento de Água Bruta Moinhos de Vento e Menino Deus foram concluídas. Nas duas unidades, foram construídas câmaras de descarga junto aos poços de visita para impedir que a água das cheias entre pelas estruturas de acesso às tubulações.

Também foram concluídos os trabalhos de proteção nos condutos forçados Álvaro Chaves, Polônia, Miguel Couto e Areia. As estruturas receberam novas tampas herméticas projetadas para suportar a pressão da água em caso de elevação dos níveis do Guaíba e do rio Jacuí.

Na região do bairro Humaitá, foi concluída a proteção da cidade junto à malha ferroviária. A intervenção eliminou um ponto considerado vulnerável no sistema de proteção, relacionado à redução da cota existente desde a implantação da ferrovia.

O sistema de comportas de Porto Alegre também passou por modernização.

Das 14 passagens existentes antes da cheia histórica de 2024, oito foram substituídas por estruturas permanentes de concreto armado: 3, 5, 7, 8, 9, 10, 13 e 14.

As comportas 11 e 12 foram totalmente substituídas por novas estruturas móveis. Já as comportas 1, 2, 4 e 6 passaram por um processo completo de recondicionamento.

No Centro Histórico, a Usina do Gasômetro também recebe correções pontuais para reforçar a proteção da estrutura em situações de elevação do nível do Guaíba. Os trabalhos já começaram e devem ser concluídos até o final de agosto.

O conjunto de intervenções representa uma frente ampla de obras voltadas ao reforço do sistema de proteção e drenagem de Porto Alegre, com ações que vão desde a recuperação de diques e modernização de comportas até melhorias nas casas de bombas e na segurança energética das estruturas.