
O golpe do falso advogado continua fazendo vítimas no Rio Grande do Sul e acende um alerta para quem possui processos judiciais em andamento. A fraude consiste no envio de mensagens, principalmente por WhatsApp, nas quais criminosos se passam por advogados e informam, de forma falsa, que a vítima teria valores a receber na Justiça, solicitando pagamentos para liberar o suposto crédito.
Um dos casos mais recentes ocorreu na última sexta-feira (24), quando um idoso de 75 anos recebeu uma mensagem de um perfil falso utilizando o nome de uma advogada. O criminoso enviou um documento fraudulento, com timbres e símbolos de órgãos do Poder Judiciário, informando a falsa liberação de R$ 5 mil referentes a um processo judicial.
Segundo o advogado Marcelo Paiva Golgo, filho da vítima, o documento apresentava elementos visuais que buscavam dar aparência de autenticidade, como o brasão da República e referências ao Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) e ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). No entanto, a informação era totalmente falsa. Conforme a consulta ao processo, a ação havia sido encerrada sem resolução do mérito e nenhum alvará judicial havia sido expedido.
De acordo com especialistas, os golpistas costumam monitorar processos judiciais disponíveis em sistemas públicos, obtêm informações como nomes, CPFs e números de ações e entram em contato com as vítimas utilizando documentos falsificados e linguagem técnica para transmitir credibilidade. Em seguida, exigem depósitos, normalmente por Pix, alegando serem taxas, custas judiciais ou despesas para liberar valores de indenizações, precatórios ou outros créditos.
Após a tentativa de golpe, a família registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil e comunicou oficialmente o caso ao Tribunal de Justiça e ao Ministério Público para investigação.
A Ordem dos Advogados do Brasil no Rio Grande do Sul (OAB/RS) e o Tribunal de Justiça vêm realizando campanhas de conscientização para alertar a população sobre esse tipo de fraude. A orientação é que qualquer comunicação relacionada a processos judiciais seja confirmada diretamente com o advogado responsável ou pelos canais oficiais do escritório de advocacia.
Especialistas também reforçam que nenhum pagamento deve ser realizado com base apenas em mensagens recebidas por aplicativos, principalmente quando houver pedidos de transferência via Pix para liberar valores supostamente devidos pela Justiça. Em caso de suspeita, a recomendação é interromper o contato, registrar ocorrência policial e comunicar imediatamente o advogado responsável pelo processo.
