Tarifa de Trump ameaça mais de 85% das exportações do Rio Grande do Sul para os Estados Unidos, aponta Fiergs

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A indústria do Rio Grande do Sul avalia que a nova tarifa de 25% anunciada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros terá forte impacto nas exportações do Estado. Levantamento da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs) mostra que a medida atingirá diretamente 48,2% das vendas gaúchas destinadas ao mercado norte-americano. Quando somadas as tarifas já aplicadas sobre setores como aço, alumínio e derivados, o percentual de exportações afetadas supera 85%.

O estudo foi elaborado pelo Conselho de Comércio Exterior e pela Unidade de Estudos Econômicos da entidade, após a divulgação da versão final das medidas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). Embora o documento tenha ampliado a relação de produtos isentos em comparação com a proposta inicial, a maior parte das mercadorias exportadas pelo Rio Grande do Sul continua sujeita à nova taxação.

Entre os produtos beneficiados pelas exceções estão alguns itens dos setores de couro e pescado, que representam cerca de 2% das exportações gaúchas destinadas aos Estados Unidos. Para a Fiergs, no entanto, o percentual é insuficiente para reduzir os impactos sobre a indústria estadual.

Segundo o presidente da entidade, Claudio Bier, a decisão compromete a competitividade das empresas brasileiras no mercado norte-americano e amplia a desvantagem em relação a concorrentes internacionais.

“Lamentamos a decisão dos Estados Unidos porque penaliza a indústria brasileira e a competitividade das empresas gaúchas. Embora a lista de exceções tenha sido ampliada, a maior parte das exportações continua alcançada pela medida. Além disso, a tarifa de 25% coloca o Brasil entre os países com maior custo de acesso ao mercado norte-americano, atrás somente da China”, afirmou.

Os Estados Unidos ocupam atualmente a posição de segundo principal destino das exportações gaúchas e concentram grande parte das vendas de produtos industrializados do Estado. Entre os segmentos que devem sentir os maiores efeitos estão máquinas e equipamentos, materiais elétricos, móveis, calçados, produtos metalúrgicos, armas e munições, tabaco e diversos bens manufaturados.

A nova tarifa passará a valer na próxima quarta-feira (22). Mercadorias embarcadas antes dessa data poderão utilizar uma regra de transição, desde que ingressem oficialmente no mercado norte-americano até o dia 29.

Setor defende negociação e medidas de apoio

A Fiergs defende que o governo brasileiro mantenha as negociações diplomáticas com os Estados Unidos para tentar reverter a decisão ou ampliar a lista de produtos excluídos da tarifa. Caso isso não seja possível, a entidade considera necessário adotar medidas de apoio aos setores mais atingidos.

Entre as alternativas sugeridas estão linhas especiais de financiamento, programas de incentivo às empresas exportadoras e outras políticas públicas voltadas à preservação da competitividade da indústria nacional.

Escalada das tarifas

Segundo a Fiergs, a atual medida faz parte de uma sequência de ações tarifárias adotadas pelo governo norte-americano nos últimos meses. O processo teve início com a aplicação de tarifas recíprocas sobre diversos países, seguida por mudanças nas alíquotas incidentes sobre produtos brasileiros e sucessivas revisões das exceções.

Além da tarifa adicional de 25% que entra em vigor neste mês, os Estados Unidos ainda avaliam a possibilidade de aplicar uma cobrança complementar de 12,5% sobre determinados produtos brasileiros e de outros países até março do próximo ano.

Para a indústria gaúcha, o cenário exige atuação conjunta entre governos e setor produtivo para reduzir os impactos sobre as exportações, preservar empregos e minimizar os efeitos econômicos da nova política comercial norte-americana.