Setor de serviços recua 0,4% em maio, pressionado pela queda nos transportes

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O setor de serviços brasileiro apresentou retração de 0,4% em maio, na comparação com abril, segundo a Pesquisa Mensal de Serviços divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado foi influenciado principalmente pela queda nas atividades de transporte, que possuem o maior peso dentro do segmento e acabaram puxando o desempenho geral para baixo.

De acordo com o levantamento, o recuo interrompe parte da recuperação registrada em abril, quando o setor havia avançado 1,1%. Ainda assim, na comparação com maio do ano passado, os serviços cresceram 0,4%, acumulando expansão de 1,9% nos cinco primeiros meses do ano e de 2,6% no período de 12 meses.

Embora o crescimento anual permaneça positivo, o ritmo de expansão perdeu força em relação ao mês anterior, quando o acumulado em 12 meses era de 2,9%. Mesmo com essa desaceleração, o setor continua operando em um patamar 19,6% superior ao registrado antes da pandemia de Covid-19, ficando apenas 0,5% abaixo do maior nível da série histórica, alcançado em outubro de 2025.

Entre os cinco grupos pesquisados pelo IBGE, apenas dois registraram queda em maio. O segmento de transportes, serviços auxiliares e correios recuou 1%, enquanto a categoria de outros serviços apresentou retração de 1,9%. Por outro lado, os serviços profissionais, administrativos e complementares cresceram 2%, e os serviços prestados às famílias avançaram 0,2%. O setor de informação e comunicação permaneceu estável.

Segundo o IBGE, a principal influência negativa veio da redução da receita de empresas ligadas ao transporte aéreo de passageiros, ao transporte rodoviário de cargas e às atividades de logística. O volume transportado também caiu no período, com retração de 1,3% no transporte de passageiros e de 0,2% no transporte de cargas.

Em contrapartida, os serviços voltados às famílias continuam mostrando recuperação consistente. O segmento atingiu o maior nível desde dezembro de 2014, impulsionado por fatores como mercado de trabalho aquecido, aumento da renda da população e inflação mais controlada.

O levantamento também mostrou recuo de 0,4% nas atividades turísticas em maio. Apesar da queda mensal, o turismo acumula crescimento de 1,7% nos últimos 12 meses e segue 10,8% acima do nível registrado antes da pandemia, refletindo a continuidade da recuperação do setor.

Os dados reforçam que, apesar das oscilações pontuais observadas em maio, o setor de serviços permanece em trajetória de crescimento no médio prazo, sustentado principalmente pela retomada gradual do consumo e pela resiliência de segmentos ligados ao atendimento às famílias e aos serviços empresariais.