BC vê piora no cenário da inflação e sinaliza juros altos por mais tempo

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O Banco Central afirmou que o cenário da inflação no Brasil apresentou deterioração nos últimos meses, conforme aponta a ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta terça-feira (23). O documento destaca que os indicadores de preços e as expectativas do mercado pioraram entre as reuniões realizadas em abril e maio.

Segundo o Copom, a inflação acumulada já se encontra acima do limite superior da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, enquanto as projeções para os próximos anos continuam se afastando dos níveis considerados adequados. O colegiado também observou uma desancoragem adicional das expectativas inflacionárias, especialmente para 2028.

Mesmo diante desse cenário, o Banco Central decidiu, na semana passada, reduzir a taxa básica de juros (Selic) para 14,25% ao ano. Na ocasião, a instituição revisou sua projeção para a inflação de 2026 para 5,2%, índice acima do teto da meta.

Na avaliação do comitê, a decisão levou em conta fatores conjunturais e as melhores práticas de política monetária. O BC argumenta que choques temporários de oferta, como oscilações nos preços do petróleo e impactos climáticos associados ao El Niño, não devem ser combatidos integralmente por meio dos juros.

A ata também destaca que as incertezas no cenário internacional exigem cautela. Entre os fatores monitorados pelo Banco Central estão os desdobramentos dos conflitos no Oriente Médio e seus possíveis efeitos sobre os preços globais e a economia brasileira.

Diante das expectativas inflacionárias ainda elevadas, o Copom sinalizou que a taxa de juros deverá permanecer em patamar restritivo por mais tempo. Segundo o colegiado, as próximas decisões dependerão da evolução dos indicadores econômicos e da redução das incertezas que afetam o comportamento da inflação.