
O sistema bancário brasileiro registrou em 2025 um lucro recorde de R$ 255 bilhões, segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC). O desempenho ocorre em um contexto de taxa básica de juros elevada, com a Selic atingindo 15% ao ano — o maior nível em quase 20 anos.
A alta dos juros influencia diretamente o setor financeiro, já que a Selic serve como referência para diversas operações de crédito no país. Apesar disso, o Banco Central avaliou que o crescimento do lucro dos bancos foi mais moderado no período, com rentabilidade relativamente estável.
De acordo com o BC, o resultado foi impactado principalmente pelo aumento das despesas com provisões, que compensou parte do ganho com operações de crédito. Além disso, o ritmo mais lento da expansão do crédito também contribuiu para desacelerar o crescimento dos lucros.
Mesmo com esse cenário, o retorno sobre o patrimônio líquido dos bancos subiu para 16,76% em 2025, o maior patamar desde 2021, quando havia alcançado 17,55%.
O setor bancário brasileiro segue altamente concentrado, com os quatro maiores bancos respondendo por cerca de 60% do mercado de crédito em 2024. Entre as instituições, Itaú Unibanco liderou o lucro com R$ 46,8 bilhões, seguido por Bradesco (R$ 24,6 bilhões), Banco do Brasil (R$ 20,68 bilhões), BTG Pactual (R$ 16,7 bilhões), Santander Brasil (R$ 15,6 bilhões) e Caixa Econômica Federal (R$ 15,5 bilhões).
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) contestou a ideia de que juros altos favorecem diretamente os bancos, argumentando que a Selic elevada também aumenta o custo de captação das instituições financeiras.
O Banco Central destacou ainda que, embora o lucro tenha atingido recorde nominal, o setor mantém dinâmica alinhada ao crescimento do sistema financeiro como um todo.
