Inadimplência recua no RS e em Porto Alegre, mas segue entre as mais altas da série histórica

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Os indicadores de inadimplência registraram uma leve melhora em maio no Rio Grande do Sul e em Porto Alegre, mas continuam em níveis considerados preocupantes. Dados divulgados pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Porto Alegre (CDL Poa), com base em informações da Equifax/Boa Vista, mostram que a redução foi modesta e insuficiente para alterar o cenário de elevado endividamento entre consumidores e empresas.

No Estado, o percentual de adultos com restrições financeiras caiu de 37,35% para 37,21% entre abril e maio. Em Porto Alegre, a taxa passou de 37,85% para 37,83%. Embora os números indiquem uma pequena retração, eles ainda representam os segundos maiores índices da série histórica iniciada em 2022, ficando atrás apenas dos resultados observados no mês anterior.

Em termos absolutos, cerca de 3,19 milhões de gaúchos possuem algum tipo de restrição em cadastros de crédito, cheques ou protestos. Na Capital, o contingente chega a aproximadamente 406,6 mil pessoas. Em comparação com abril, houve redução de cerca de 12,1 mil registros negativos no Estado e de 194 em Porto Alegre.

Especialistas avaliam que parte desse movimento pode estar relacionada às medidas de renegociação de dívidas promovidas pelo programa Desenrola Brasil. A iniciativa facilitou acordos para quitação de débitos e contribuiu para a retirada de algumas restrições de menor valor dos cadastros de inadimplentes.

Apesar disso, o economista-chefe da CDL Poa, Oscar Frank, destaca que os efeitos positivos ainda são limitados diante dos desafios econômicos enfrentados pelas famílias brasileiras. Segundo ele, fatores como a retomada da inflação, o custo elevado do crédito e a desaceleração da redução dos juros continuam dificultando a recuperação financeira de muitos consumidores.

Além dos fatores macroeconômicos, o especialista aponta o crescimento das apostas esportivas on-line, a ampliação do acesso ao crédito consignado privado e a falta de educação financeira como elementos que também contribuem para o elevado nível de endividamento observado atualmente.

Entre as empresas, o cenário também apresentou leve melhora. A inadimplência empresarial recuou pelo segundo mês consecutivo, passando de 17,44% para 17,38% no Rio Grande do Sul e de 17,51% para 17,42% em Porto Alegre. Mesmo assim, aproximadamente 283,8 mil empresas gaúchas e 46,1 mil negócios da Capital seguem com restrições financeiras.

Para os analistas, a recente redução dos indicadores empresariais pode estar associada à ampliação de linhas de crédito voltadas aos pequenos empreendedores. No entanto, o ambiente econômico ainda inspira cautela, especialmente diante do aumento dos custos operacionais e das incertezas que afetam o ritmo da atividade econômica.

Embora os números de maio indiquem uma interrupção na trajetória de alta da inadimplência, o cenário continua desafiador. A manutenção de índices próximos aos recordes históricos reforça a necessidade de medidas estruturais voltadas ao equilíbrio das contas das famílias e à sustentabilidade financeira das empresas gaúchas.