
Os consumidores atendidos pela distribuidora RGE terão um aumento significativo na conta de energia elétrica a partir de 19 de junho. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou um reajuste tarifário médio de 16,06%, afetando aproximadamente 3,19 milhões de unidades consumidoras espalhadas pelo Rio Grande do Sul.
O reajuste atinge diferentes perfis de consumidores. Para as indústrias e demais usuários atendidos em alta tensão, o aumento médio será de 19,02%. Já os consumidores de baixa tensão terão reajuste médio de 14,93%. No caso das residências, a elevação ficará em torno de 14,97%.
Segundo a Aneel, parte relevante da alta está ligada à recuperação de custos extraordinários relacionados à calamidade climática que atingiu o Rio Grande do Sul em 2024. Na época, diante dos impactos das enchentes sobre a população e a economia gaúcha, a agência optou por não aplicar aumento tarifário, permitindo que a distribuidora acumulasse um crédito regulatório superior a R$ 1,2 bilhão para ser recomposto gradualmente nos anos seguintes.
A estratégia evitou um aumento imediato em um dos momentos mais delicados para os consumidores, mas os valores passaram a ser incorporados aos processos tarifários posteriores. Em 2025, parte desse montante já havia sido recuperada, enquanto uma nova parcela entra agora na composição do reajuste aprovado para 2026.
Além da recomposição financeira relacionada às enchentes, o aumento também foi influenciado pela elevação dos custos do setor elétrico. Entre os principais fatores estão os encargos setoriais, especialmente os valores vinculados à Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), e os custos de transmissão de energia, que sofreram reajustes em todo o país.
Os componentes financeiros acumulados ao longo do último ciclo tarifário tiveram peso expressivo no cálculo final. Somados, esses mecanismos responderam por uma parcela significativa do reajuste autorizado pela agência reguladora.
Por outro lado, alguns fatores ajudaram a reduzir parcialmente o impacto para os consumidores. Créditos tributários relacionados ao PIS/Cofins e ajustes ligados à Conta Escassez Hídrica contribuíram para amenizar o percentual final aplicado nas tarifas.
A estrutura de custos da distribuidora mostra que aproximadamente dois terços das despesas estão ligados a itens que não são controlados diretamente pela empresa, como compra de energia, transmissão e encargos regulatórios. Já os custos associados à operação da rede de distribuição representam cerca de um terço da receita necessária para manter o serviço.
Com sede em São Leopoldo, a RGE é uma das principais concessionárias de energia do país e atende municípios em grande parte do território gaúcho. O reajuste aprovado passa a valer para as próximas faturas emitidas a partir de 19 de junho, impactando residências, estabelecimentos comerciais, propriedades rurais e grandes consumidores industriais.
A medida reforça a pressão sobre o orçamento das famílias e das empresas em um momento em que a economia busca manter o ritmo de recuperação, tornando os custos com energia um dos principais desafios para consumidores e setores produtivos do estado.
