
A previsão de um episódio de El Niño de forte intensidade em 2026 volta a colocar o Rio Grande do Sul em estado de atenção, dois anos após a maior tragédia climática já registrada no estado. Especialistas apontam que o fenômeno pode elevar o risco de chuvas intensas e enchentes, especialmente durante a primavera, embora ressaltem que ainda não é possível afirmar uma repetição do cenário extremo observado em 2024.
Naquele ano, a catástrofe foi resultado da combinação de múltiplos fatores climáticos, incluindo a atuação prolongada do El Niño desde 2023, o aquecimento anormal do Oceano Atlântico e a passagem frequente de frentes frias. O resultado foi devastador: mais de 180 mortes, milhares de desabrigados e cerca de 95% dos municípios gaúchos afetados. Em Porto Alegre, o sistema de proteção contra cheias entrou em colapso, com o nível do Guaíba atingindo 5,37 metros.
De acordo com a meteorologista Josélia Pegorim, da Climatempo, o El Niño previsto para 2026 tem potencial para variar de forte a muito forte, com características semelhantes às registradas em 2023. Segundo ela, os efeitos devem começar a ser sentidos ainda no inverno, mas ganham maior intensidade na primavera. “Historicamente, o aumento da chuva sobre o Sul do Brasil é mais preocupante na primavera, que já é uma estação marcada por eventos de precipitação intensos e, por vezes, extremos”, explica.
Entre a população, o cenário gera preocupação e memória recente das perdas ainda não superadas. Em Pelotas, no sul do estado, a empresária Gisele Ramos, proprietária de um restaurante na Colônia de Pescadores Z5, relata apreensão diante da possibilidade de novos episódios de chuva intensa. “A gente ainda está tentando se reerguer depois de tudo o que aconteceu. Qualquer previsão de mais chuva forte já deixa todo mundo em alerta”, afirma.
