
O avanço das ferramentas de inteligência artificial tem intensificado a circulação de conteúdos enganosos, elevando o nível de atenção necessário por parte do público. Com imagens e vozes cada vez mais realistas, especialistas em verificação de fatos apontam que identificar informações confiáveis se tornou mais desafiador. Diante desse cenário, profissionais da área recomendam adotar uma postura crítica diante de conteúdos recebidos, especialmente em redes sociais e aplicativos de mensagem.
Um levantamento recente da Agência Lupa analisou 1.294 checagens realizadas em pelo menos dez idiomas e revelou o impacto crescente da IA na desinformação global. O estudo, intitulado “O impacto da IA no Fact-checking Global”, indica que 81,2% dos casos envolvendo tecnologias de inteligência artificial foram registrados apenas nos últimos dois anos, entre janeiro de 2024 e março de 2026.
De acordo com o mapeamento, temas como eleições, conflitos armados e fraudes financeiras estão entre os mais explorados por conteúdos manipulados. A pesquisa evidencia que o uso dessas tecnologias tem ampliado a capacidade de produção e disseminação de materiais falsos, dificultando o trabalho de verificação e ampliando o alcance da desinformação em diferentes contextos.
Para Cristina Tardáguila, gerente de inovação e formação da Agência Lupa, a inteligência artificial está transformando o cenário global da checagem de fatos. Segundo ela, a maior parte dos conteúdos analisados recebe classificação de falso ou enganoso, indicando que o uso dessas ferramentas tem sido mais frequente para distorcer informações do que para promover conteúdos verídicos.
