
O Brasil manteve em 2025 o baixo desempenho registrado nos últimos anos no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa). Os resultados divulgados nesta terça-feira (8) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostram que o País permaneceu estatisticamente estável em ciências, matemática e leitura na comparação com 2022.
A avaliação foi aplicada a estudantes de 15 anos de 91 países e economias. Nesta edição, além das três áreas tradicionais, o Pisa avaliou pela primeira vez a resolução de problemas por meio de ferramentas computacionais.
Como essa nova modalidade estreou em 2025, apenas os resultados de ciências, matemática e leitura permitem comparação com edições anteriores.
Embora os resultados brasileiros tenham permanecido estáveis, os indicadores mostram que essa estabilidade ocorre em um patamar baixo.
Ao todo, 43,8% dos estudantes brasileiros ficaram abaixo do nível mínimo de proficiência simultaneamente em ciências, matemática e leitura. Na média dos países da OCDE, essa parcela foi de 19,7%.
Na outra ponta, apenas 1,8% dos estudantes brasileiros alcançaram alto desempenho em pelo menos uma das três áreas. Entre os integrantes da OCDE, a proporção chegou a 11,9%.
Matemática continua sendo o principal desafio para o Brasil. O País alcançou 377 pontos e ficou na 71ª posição entre 89 participantes com resultados disponíveis nessa área.
Na América Latina, o desempenho brasileiro ficou abaixo de Uruguai, Chile, México, Costa Rica, Peru e Colômbia. O Brasil ficou empatado com o Líbano.
Argentina, Equador, El Salvador, República Dominicana, Paraguai e Guatemala apresentaram pontuações inferiores à brasileira.
Ciências foi a principal área de avaliação desta edição do Pisa e apresentou o melhor resultado relativo do Brasil.
Os estudantes brasileiros alcançaram 409 pontos, colocando o País na 67ª posição entre 90 participantes. O resultado deixou o Brasil empatado com o Azerbaijão e logo à frente de Jordânia e Peru.
A disciplina voltou a receber atenção especial na avaliação pela primeira vez desde 2015.
Em leitura, o Brasil obteve 408 pontos e ocupou a 52ª posição entre 89 países e economias com dados disponíveis, empatado com México e Albânia.
A pontuação ficou dois pontos abaixo da registrada em 2022. Segundo os critérios estatísticos da OCDE, entretanto, a diferença não é significativa e, portanto, não representa uma piora comprovada no desempenho.
Singapura liderou o resultado em leitura, com 535 pontos, seguida pelo conjunto das regiões chinesas de Pequim, Xangai, Jiangsu e Zhejiang, com 527 pontos. Taiwan, Japão, Macau e Coreia do Sul também aparecem entre os melhores desempenhos.
A edição de 2025 contou com dez participantes a mais do que a anterior. O número de países e economias avaliados passou de 81, em 2022, para 91.
Por isso, a comparação direta das posições no ranking entre diferentes edições pode não refletir necessariamente melhora ou piora, já que a entrada de novos participantes altera a classificação.
Coordenado pela OCDE, o Pisa é realizado a cada três anos e avalia estudantes de 15 anos. O objetivo é medir conhecimentos e habilidades considerados essenciais para a participação dos jovens na vida social e econômica.
