EUA justificam tarifa de 25% ao Brasil com críticas ao Pix, STF, etanol e desmatamento

Foto: Arquivo/EBC

O governo do presidente Donald Trump oficializou uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos. A medida foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e passa a valer na próxima quarta-feira (22), ampliando a tensão comercial entre os dois países.

Segundo o USTR, a decisão é resultado de uma investigação que concluiu que o Brasil adota práticas consideradas “injustificáveis e discriminatórias”, que, na avaliação do governo americano, comprometem a competitividade de empresas, agricultores, trabalhadores e exportadores dos Estados Unidos.

Entre os principais argumentos apresentados para justificar a aplicação do tarifaço está o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, o Pix. O governo americano também cita preocupações relacionadas à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) em processos envolvendo plataformas digitais e empresas de tecnologia, classificadas como big techs.

O documento ainda aponta críticas à política tarifária brasileira, que, segundo os Estados Unidos, impõe tratamento considerado desigual aos produtos americanos. Além disso, o USTR questiona o nível de proteção à propriedade intelectual no Brasil e menciona as tarifas aplicadas sobre o etanol importado.

Outro ponto destacado pelo governo norte-americano é a questão ambiental. O relatório cita o desmatamento como um dos fatores levados em consideração na avaliação sobre as práticas comerciais brasileiras. Também aparecem referências a problemas relacionados ao combate à corrupção.

Na avaliação das autoridades americanas, o conjunto desses fatores cria barreiras ao comércio e prejudica empresas dos Estados Unidos que mantêm relações comerciais com o mercado brasileiro.

A sobretaxa de 25% deverá atingir diversos produtos exportados pelo Brasil para os Estados Unidos, podendo elevar os custos de acesso ao mercado americano e afetar setores estratégicos da economia brasileira. O governo brasileiro ainda não detalhou quais medidas poderá adotar em resposta à decisão, enquanto representantes da indústria e do agronegócio acompanham os possíveis impactos da nova política comercial.