Produção industrial recua em maio e interrompe sequência de quatro meses de crescimento no Brasil

Foto: Marco Charneski/Agência Petrobras

A produção industrial brasileira apresentou queda de 0,2% em maio na comparação com abril, interrompendo uma sequência de quatro meses consecutivos de crescimento. O resultado foi divulgado nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), e indica uma desaceleração da atividade após o avanço registrado desde o início do ano.

Mesmo com o desempenho negativo no mês, a indústria ainda mantém indicadores positivos em horizontes mais amplos. Em relação a maio de 2025, houve crescimento de 0,2%. No acumulado de 2026, a expansão chega a 1,4%, enquanto o desempenho dos últimos 12 meses registra alta de 0,4%.

O levantamento mostra que a retração foi relativamente disseminada entre os segmentos industriais. Das quatro grandes categorias econômicas analisadas, três apresentaram queda na passagem de abril para maio. Além disso, oito dos 25 ramos pesquisados registraram redução na produção.

Entre os setores que mais contribuíram para o resultado negativo, destacam-se a fabricação de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis, que recuou 6,1%, e as indústrias extrativas, com queda de 2,6%. Também apresentaram desempenho inferior ao do mês anterior os segmentos de alimentos, produtos têxteis, impressão e reprodução de gravações e equipamentos de informática, eletrônicos e ópticos.

Por outro lado, parte da indústria conseguiu manter ritmo de crescimento. O maior avanço foi observado na produção de produtos farmoquímicos e farmacêuticos, que registrou expansão de 13,1%. Também tiveram desempenho positivo os setores de veículos automotores, produtos químicos, metalurgia, confecção de vestuário, equipamentos de transporte, máquinas elétricas e máquinas e equipamentos.

Na análise por categorias econômicas, o maior recuo foi registrado nos bens de consumo semi e não duráveis, que caíram 1,3% em maio, ampliando a retração já observada no mês anterior. Os bens intermediários também apresentaram queda de 0,4%, enquanto os bens de capital recuaram 0,2%.

A exceção ficou por conta dos bens de consumo duráveis, que avançaram 3,6% e compensaram parte da perda registrada em abril, quando haviam interrompido uma sequência de três meses de crescimento. O desempenho desse segmento ajudou a reduzir o impacto da retração observada nos demais grupos industriais.

Os números divulgados pelo IBGE indicam que a indústria brasileira enfrenta um momento de ajuste após um período de recuperação contínua. Embora o resultado de maio represente uma interrupção no ritmo de expansão, os indicadores acumulados mostram que o setor ainda preserva crescimento ao longo de 2026, sustentado pela recuperação de segmentos estratégicos, como a indústria farmacêutica e a produção de veículos.