
Israel realizou novos bombardeios no sul do Líbano neste domingo (28), apenas dois dias após a assinatura de um acordo de paz entre os dois países. A informação foi divulgada pela agência estatal libanesa NNA, que relatou ataques aéreos nas proximidades das cidades de Deir Seryan e Taybeh.
Segundo a NNA, caças israelenses atingiram áreas do sul do país em meio a um cenário de forte tensão diplomática e militar. O episódio ocorre logo após a assinatura de um acordo mediado pelos Estados Unidos, que prevê a tentativa de estabelecer uma “paz duradoura” entre as nações, historicamente em conflito.
O entendimento firmado condiciona a retirada das forças israelenses do território libanês ao desarmamento do Hezbollah, grupo político e militar xiita que atua no país. No entanto, a implementação do acordo já enfrenta resistência interna.
O presidente do Líbano, Josef Aoun, conversou no sábado (27) com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e afirmou que o governo libanês irá cumprir suas responsabilidades na aplicação do acordo. Apesar disso, a posição não é consensual dentro do país.
O Hezbollah rejeita integralmente o tratado. O deputado Hassan Fadlallah afirmou neste domingo que o acordo “não será implementado” e alertou para o risco de um conflito interno. Em declarações anteriores, o líder do grupo, Naim Qasem, classificou o texto como “humilhante” e acusou o governo libanês de ceder à pressão externa e legitimar a presença militar israelense.
“O acordo jamais verá a luz do dia e não será implementado. Nosso dedo permanecerá no gatilho”, disse Fadlallah, reforçando a posição de resistência do grupo armado.
Do lado israelense, o ministro da Defesa, Israel Katz, declarou que ordenou às forças militares que se preparem para uma permanência prolongada no sul do Líbano, região ocupada desde o início do novo ciclo de conflitos com o Hezbollah, em março.
No sábado, um ataque aéreo israelense na cidade de Nabatieh al-Fawqa deixou uma pessoa morta, segundo o Ministério da Saúde libanês. Ao longo do mesmo dia, novos bombardeios foram registrados na região, enquanto o Exército de Israel afirmou ter atingido combatentes do Hezbollah próximos à chamada “zona de segurança” estabelecida por suas tropas.
A escalada de ataques e declarações contraditórias entre as partes aumenta a incerteza sobre o futuro do acordo recém-assinado e reforça o clima de instabilidade no sul do Líbano.
