Mais de 10 milhões deixam a pobreza nas regiões metropolitanas brasileiras, aponta estudo

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

A pobreza apresentou uma queda significativa nas principais regiões metropolitanas do Brasil nos últimos anos. Um estudo divulgado pelo Observatório das Metrópoles, em parceria com a Rede de Observatórios da Dívida Social na América Latina (RedODSAL) e a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), aponta que mais de 10 milhões de pessoas deixaram essa condição entre 2021 e 2025.

De acordo com o levantamento, a taxa de pobreza nas 22 regiões metropolitanas analisadas atingiu 18,4% em 2025, registrando o menor percentual desde o início da série histórica, em 2012. É o terceiro ano consecutivo em que o indicador alcança seu nível mais baixo.

Os pesquisadores atribuem a melhora, principalmente, ao crescimento da renda proveniente do trabalho. A ampliação das oportunidades de emprego e o aumento dos rendimentos das camadas mais vulneráveis da população foram determinantes para a redução da pobreza no período.

Outro dado relevante do estudo é o recorde da renda domiciliar per capita nas regiões metropolitanas, que alcançou média de R$ 2.766 em 2025. Mesmo assim, cerca de 15,2 milhões de pessoas ainda vivem abaixo da linha da pobreza, com renda mensal de até R$ 729 por integrante da família.

A extrema pobreza também apresentou recuo. Atualmente, cerca de 2,6 milhões de pessoas vivem com renda per capita mensal de até R$ 229, o que representa 3,2% da população das metrópoles pesquisadas.

Desigualdade continua elevada

Apesar dos avanços sociais, o estudo revela que a desigualdade de renda segue como um dos principais desafios do país. O índice de Gini, utilizado para medir a concentração de renda, ficou em 0,511 em 2025, indicando que a distribuição dos ganhos continua bastante desigual.

O levantamento mostra ainda que os 10% mais ricos recebem, em média, 16,1 vezes mais do que os 40% mais pobres da população. Segundo os especialistas, essa diferença é impulsionada tanto pelos salários mais elevados de profissionais com maior qualificação quanto pelos rendimentos obtidos em aplicações financeiras, favorecidos pelos juros elevados observados nos últimos anos.

Diferenças regionais permanecem

O estudo também destaca a forte desigualdade regional existente no país. As regiões metropolitanas do Norte e Nordeste apresentam índices de pobreza superiores aos registrados no Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

A disparidade aparece também na renda média. Enquanto o Distrito Federal lidera com rendimento mensal per capita de R$ 4.401, a região metropolitana de São Luís registra média de R$ 1.616, uma diferença de quase três vezes.

As 22 regiões metropolitanas analisadas reúnem cerca de 300 municípios e concentram aproximadamente 40% da população brasileira, tornando-se um importante retrato das transformações econômicas e sociais do país nos últimos anos.