Rio Grande do Sul interrompe aplicação da vacina contra dengue do Butantan por medida preventiva

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O Rio Grande do Sul suspendeu temporariamente a aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. A decisão segue orientação do Ministério da Saúde, anunciada nesta segunda-feira, após o registro de eventos adversos graves que passaram a ser investigados pelas autoridades sanitárias.

A medida tem caráter preventivo e foi adotada enquanto são apuradas 42 reações severas e duas mortes registradas entre aproximadamente 500 mil pessoas imunizadas em todo o país desde o início da campanha, em fevereiro deste ano.

No território gaúcho, cerca de 28 mil doses do imunizante foram destinadas a profissionais de saúde, público definido como prioritário para a vacinação. O Centro Estadual de Vigilância em Saúde está realizando um levantamento para identificar quantas doses já foram aplicadas e traçar o perfil dos vacinados.

Segundo o Ministério da Saúde, os efeitos adversos investigados não haviam sido observados durante os estudos clínicos que antecederam a aprovação do produto. A pesquisa acompanhou cerca de 16 mil participantes ao longo de cinco anos. O imunizante do Butantan é considerado pioneiro por ser a primeira vacina contra a dengue produzida integralmente no Brasil e aplicada em dose única.

De acordo com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a suspensão permitirá uma análise detalhada dos casos registrados. O objetivo é verificar se existe algum fator de risco específico ou grupo populacional mais suscetível aos eventos adversos identificados recentemente.

A investigação está sendo conduzida pelo Instituto Butantan com acompanhamento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Os resultados deverão subsidiar futuras decisões sobre a continuidade ou eventual retomada da vacinação.

As autoridades de saúde destacam que a suspensão temporária não significa que a eficácia do imunizante esteja comprometida. Como medida de precaução, pessoas que receberam a vacina nas últimas três semanas devem observar possíveis sintomas e procurar atendimento médico em caso de sinais como febre persistente, dores abdominais ou episódios de vômito.

A interrupção atinge exclusivamente a vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan. A vacina Qdenga segue disponível normalmente na rede pública de saúde. O imunizante continua sendo aplicado em duas doses para adolescentes com idade entre 10 e 14 anos, conforme o calendário de vacinação vigente.

O Ministério da Saúde informou que novas orientações poderão ser divulgadas à medida que a investigação avançar e que os dados coletados sejam analisados pelas equipes técnicas responsáveis.