
A previsão do mercado financeiro para a inflação oficial do país voltou a subir e chegou a 4,71% em 2026, segundo dados do Boletim Focus divulgados nesta segunda-feira (13). O índice, que mede o comportamento dos preços por meio do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, teve aumento em relação à estimativa anterior, de 4,36%, e já ultrapassa o teto da meta definida para o ano.
A elevação ocorre em um cenário de instabilidade internacional, marcado por tensões no Oriente Médio, que têm pressionado custos e impactado expectativas. A meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional é de 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%. Com a nova projeção acima do limite, cresce a atenção do mercado em relação às medidas que poderão ser adotadas para conter o avanço dos preços.
Dados recentes reforçam o movimento de alta inflacionária. Em março, o IPCA registrou avanço de 0,88%, puxado principalmente pelos aumentos nos setores de transporte e alimentação, conforme levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. No acumulado de 12 meses, a inflação soma 4,14%, mantendo-se próxima do teto da meta e indicando persistência das pressões sobre o custo de vida.
Para tentar conter esse cenário, o Banco Central do Brasil utiliza a taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 14,75% ao ano. Apesar de um início de redução recente, as incertezas externas podem levar a ajustes na política monetária. Ainda assim, o mercado projeta crescimento econômico moderado de 1,85% em 2026 e estima o dólar em R$ 5,37 ao final do ano, refletindo um ambiente de cautela nas expectativas econômicas.
