
Fabinho Soldado chegou ao Inter com um discurso que foge do oba-oba e encara a realidade de frente. Campeão em 2006, o novo executivo sabe onde está pisando: elenco limitado, finanças apertadas e um clube que se afastou do hábito de vencer. Ao evitar nomes e promessas, deixou claro que não há espaço para ilusões nem para uma reformulação radical.
O ponto mais forte da apresentação foi a leitura do elenco. Ao dizer que os jogadores estão “doloridos” pelo fracasso do ano passado, Fabinho tocou onde dói e precisa doer mesmo. Sem incômodo interno, não há mudança. A mensagem é direta: menos discurso e mais entrega, porque no futebol palavra não ganha jogo.
A contratação de Paulo Pezzolano segue essa lógica. Um técnico trabalhador, com respaldo e, em tese, menos interferência política. Exatamente o tipo de ambiente que Fabinho buscava ao sair do Corinthians. Resta saber se o Inter conseguirá sustentar essa promessa de autonomia quando os resultados demorarem.
Fabinho assume um Inter em reconstrução, sem dinheiro, sem atalhos e sem tempo. O desafio é simples de falar e difícil de executar: fazer o time voltar a competir e ganhar mais do que perder. Se conseguir isso, já terá feito muito.
