
Dias após a ofensiva militar dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, o presidente norte-americano Donald Trump voltou a elevar o tom e afirmou que uma nova operação militar, desta vez contra a Colômbia, “soa bem”.
A declaração foi feita na noite de domingo (4), a bordo do Air Force One, em conversa com jornalistas. Trump criticou diretamente o presidente colombiano Gustavo Petro, a quem chamou de “homem doente”, e associou o governo do país ao tráfico de drogas. Questionado sobre a possibilidade de uma ação militar contra a Colômbia, respondeu de forma direta: “Soa bem para mim”.
O republicano também direcionou críticas ao México, afirmando que é necessário “fazer alguma coisa” em relação ao país, e comentou a situação de Cuba, dizendo acreditar que uma intervenção militar não será necessária porque o regime estaria próximo de colapsar por conta própria.
As falas provocaram reação imediata em Bogotá. Nesta segunda-feira (5), o presidente Gustavo Petro repudiou as declarações, classificando-as como uma “ameaça ilegítima” e acusando o governo dos Estados Unidos de usar o discurso contra a Colômbia com objetivos políticos.
Enquanto isso, a Venezuela vive um cenário de transição forçada. Após a retirada de Maduro do poder, a vice-presidente Delcy Rodríguez foi empossada como presidente interina por decisão do Tribunal Supremo de Justiça, com o respaldo das Forças Armadas. Segundo o governo venezuelano, a medida busca garantir a continuidade administrativa e a defesa nacional por um período inicial de 90 dias.
Apesar de Trump afirmar que os Estados Unidos estão “no comando” da Venezuela, o secretário de Estado, Marco Rubio, adotou um discurso mais cauteloso. Em entrevista à CBS, ele afirmou que Washington não pretende administrar o governo venezuelano, mas manterá a chamada “quarentena do petróleo” como instrumento de pressão política e econômica. Segundo Rubio, a medida visa forçar mudanças na gestão da indústria petrolífera e no combate ao narcotráfico.
No campo jurídico, Nicolás Maduro foi levado para Nova York no fim de semana e está sob custódia da Agência Antidrogas dos Estados Unidos (DEA). Ele deve comparecer nesta segunda-feira a uma audiência no Tribunal Distrital Federal de Manhattan, onde será formalmente apresentado à Justiça norte-americana sob acusações de narcotráfico. Cilia Flores também deve comparecer à audiência.
Paralelamente, a crise alcança o plano multilateral. O Conselho de Segurança da ONU deve se reunir para discutir a legalidade da captura do presidente venezuelano e os desdobramentos da operação americana. As declarações de Trump sobre uma possível nova ofensiva contra a Colômbia aumentam a apreensão internacional e reforçam o temor de uma escalada de intervenções militares dos Estados Unidos na América Latina.
