
A venda de Ricardo Mathias ao Al Ahli escancara uma realidade cada vez mais presente no futebol brasileiro: talento jovem virou ativo financeiro imediato. O Inter faz um negócio robusto em valores absolutos, mas que deixa no ar o eterno dilema entre o retorno esportivo e a necessidade de caixa. São 10 milhões de euros por um centroavante de 19 anos que começava a se afirmar no time principal, número que ajuda o balanço, mas cobra seu preço dentro de campo.
Mathias não era apenas uma promessa. Em 2025, ganhou espaço, foi titular em momentos decisivos e, por desempenho, superou nomes consolidados como Borré e Valencia. Em um elenco que ainda busca estabilidade ofensiva, a saída de um jogador com margem clara de evolução enfraquece o projeto esportivo no curto prazo. Ainda mais quando se observa que o Inter ficará com apenas 60% do valor da negociação, reduzindo o impacto real da venda.
Por outro lado, é impossível ignorar o contexto. O mercado saudita segue inflacionado e agressivo, e o Inter soube aproveitar o momento. A arrecadação de pouco mais de R$ 39 milhões entra como oxigênio em um ano em que o clube também se aproxima de negociar Vitão. A diretoria claramente opta por uma estratégia de equilíbrio financeiro, mesmo que isso signifique abrir mão de peças que poderiam render mais esportivamente.
