Indústria gaúcha mantém ritmo de retração em maio, mas empresários apostam em recuperação da demanda no segundo semestre

Foto: José Paulo Lacerda/Arquivo CNI

A indústria do Rio Grande do Sul encerrou o mês de maio com mais um resultado negativo, consolidando o segundo mês consecutivo de retração da atividade. Os dados apontam para um cenário de desaceleração que atinge diferentes segmentos da produção e reforça os desafios enfrentados pelas empresas em um ambiente de custos elevados e incertezas econômicas.

Levantamento divulgado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs) mostra que o indicador de atividade industrial ficou em 45,8 pontos, abaixo da marca de 50 pontos, parâmetro que separa crescimento de retração. O desempenho revela que a maior parte das empresas percebeu redução no ritmo de produção em comparação com o mês anterior.

Segundo a entidade, fatores como a manutenção das taxas de juros em patamares elevados, a instabilidade da economia brasileira e as incertezas no mercado internacional continuam limitando o avanço da indústria gaúcha. Para o presidente do Sistema Fiergs, Claudio Bier, esse conjunto de fatores tem reduzido o dinamismo do setor, embora os empresários mantenham expectativas de melhora caso o ambiente econômico se torne mais favorável aos investimentos.

Além da queda na atividade, o mercado de trabalho industrial também apresentou novo recuo. O indicador de emprego fechou maio em 48,4 pontos e permanece abaixo da linha de estabilidade há um ano, sinalizando dificuldades para a ampliação do quadro de funcionários nas empresas.

Outro dado que chama atenção é a redução da utilização da capacidade instalada. As indústrias operaram, em média, com 67% de sua capacidade, percentual inferior ao registrado em abril. O indicador que mede o nível de utilização em relação ao considerado normal também caiu, refletindo aumento da ociosidade nas fábricas gaúchas.

Os estoques de produtos acabados seguem acima do planejado. O levantamento mostra que o volume armazenado permaneceu elevado durante maio, indicando que parte da produção ainda encontra dificuldades para ser absorvida pelo mercado, cenário que costuma limitar novos ciclos de fabricação.

Apesar do quadro atual, os empresários demonstram maior confiança em relação ao comportamento da demanda nos próximos meses. O índice de expectativa para vendas avançou e voltou a ficar acima da linha de 50 pontos, indicando projeção de crescimento ao longo do segundo semestre.

Em contrapartida, as perspectivas para exportações, geração de empregos e compras de matérias-primas ainda permanecem em nível inferior ao considerado otimista, demonstrando que a recuperação esperada deverá ocorrer de forma gradual.

Mesmo com leve redução em junho, a intenção de investir segue acima da média histórica da pesquisa. Mais da metade das empresas consultadas informou que pretende realizar investimentos nos próximos seis meses, sinalizando que parte do setor mantém projetos de expansão e modernização, apostando em uma melhora das condições econômicas.

A pesquisa foi realizada entre os dias 1º e 12 de junho com 139 indústrias de pequeno, médio e grande porte. Os indicadores utilizados pela Fiergs variam de zero a 100 pontos: resultados acima de 50 indicam crescimento ou expectativa positiva, enquanto números abaixo desse patamar apontam retração da atividade ou perspectivas de queda.