O eterno vazio à frente da zaga

Noriega é a aposta da vez, FOTO: LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA

O dilema do meio de campo gremista atravessa temporadas e segue sem solução. Passa ano, entra ano, e o problema é sempre o mesmo: encontrar um camisa cinco de contenção. Mas não aquele volante brucutu, limitado à força física. O Grêmio precisa de um jogador que marque, proteja a frente da área e saiba jogar com a bola no pé. O obstáculo é que esse perfil precisa ser barato e, ao mesmo tempo, entregar qualidade, algo que o clube não consegue encontrar há tempos.

Essa carência tem impactado de forma direta e imediata o futebol do Grêmio. Desde os tempos de Renato Portaluppi, o time sofre com a falta de proteção à frente da zaga. Tentativas não faltaram, assim como mudanças de comando. De lá para cá, três técnicos passaram pelo clube e nenhum conseguiu corrigir o problema de forma definitiva. O buraco no meio de campo permanece aberto, expondo a defesa e comprometendo o equilíbrio da equipe.

O resultado é um time frequentemente espaçado, vulnerável nas transições defensivas e previsível quando pressionado. Sem um camisa cinco que organize o jogo defensivo e ofereça saída qualificada, o Grêmio fica refém de jogadores com qualidade técnica, mas que pouco entregam no quesito marcação. O meio fica frouxo, sem intensidade, e falta um jogador capaz de dar a cobertura necessária a Arthur, que acaba sobrecarregado e obrigado a sair de sua função principal.

O dilema, portanto, não é apenas de mercado. É de planejamento. Encontrar esse jogador exige um scouting mais eficiente, leitura correta de perfil e convicção nas escolhas. Enquanto isso não acontece, o Grêmio segue prisioneiro de um problema crônico que atravessa temporadas, técnicos e projetos, minando qualquer tentativa consistente de evolução coletiva.