FIERGS critica manutenção da Selic em 15% e aponta impacto negativo na indústria

Foto: Fiergs

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de manter a taxa básica de juros em 15% foi duramente criticada pela Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS). Para a entidade, o patamar elevado da Selic representa mais um obstáculo ao setor produtivo, que já enfrenta margens pressionadas, queda na confiança e dificuldades para investir.

De acordo com o presidente da FIERGS, Cláudio Bier, a última edição da Sondagem Industrial do Sistema FIERGS revelou que os juros altos seguem entre os principais entraves à atividade industrial, ao lado da elevada carga tributária e da demanda interna insuficiente. Segundo ele, a manutenção da taxa nesse nível restringe o acesso ao crédito, desestimula novos investimentos e compromete a retomada do crescimento da indústria.

Bier reconhece que o Banco Central atua dentro de suas atribuições, diante de um cenário marcado por incertezas fiscais e expectativas de inflação desancoradas. No entanto, aponta que a raiz do problema está na ausência de sinais claros de responsabilidade do governo federal com as contas públicas. Para o dirigente, sem uma âncora fiscal confiável, não há espaço para uma redução sustentada dos juros.

A FIERGS defende que o reequilíbrio fiscal é fundamental para criar um ambiente econômico mais favorável à produção, ao investimento e à geração de empregos. Segundo a entidade, somente com estabilidade e previsibilidade será possível garantir um crescimento seguro e duradouro, com protagonismo da indústria no desenvolvimento do país.