Luís Castro perde crédito com a torcida

Pavón tenta puxar o Grêmio para o ataque, mas esbarra na falta de criatividade e no momento instável da equipe. FOTO: LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA

Os créditos de Luís Castro com a torcida do Grêmio começam, sim, a se esgotar. É cedo no Brasileirão, o discurso do “processo” ainda existe, mas o torcedor vive de resultado — e, principalmente, de desempenho. A desconfiança não surge do nada: basta olhar para o Gre-Nal e para a derrota de ontem. Mais do que os placares, o que incomoda é a forma como o time se comportou nos dois jogos, sempre distante de convencer.

Ao insistir em um modelo já gasto, com três volantes e Edenilson como “falso meia”, o treinador voltou a uma fórmula que fracassou recentemente com Gustavo Quinteros e Mano Menezes. O efeito foi previsível: um Grêmio engessado, com pouca criatividade e incapaz de potencializar seus jogadores mais talentosos. Arthur ficou sobrecarregado, o ataque pouco servido e a equipe previsível, fácil de ser neutralizada.

A decisão de abrir mão de Tiaguinho e Cristaldo apenas reforça um dilema maior. As opções de criação realmente não empolgam, mas o conservadorismo também não trouxe segurança. Com Dodi e Edenilson juntos, o time seguiu frágil defensivamente e pobre ofensivamente. Os números não mentem: cinco gols sofridos em dois jogos e produção ofensiva baixa, mesmo quando o Grêmio teve mais posse e enfrentou adversários já confortáveis com a vantagem.

Está na hora de Luís Castro mostrar que o futebol apresentado contra equipes menores pode ser transportado para jogos grandes. O contrato é longo, a confiança da direção é alta, mas a paciência da torcida não acompanha esse mesmo ritmo. A cobrança por evolução já começou — e, no Grêmio, ela nunca espera demais.