Déficit externo do Brasil atinge US$ 68,8 bilhões em 2025, mas é financiado por investimentos de longo prazo

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

As contas externas do Brasil encerraram 2025 com saldo negativo de US$ 68,791 bilhões, o equivalente a 3,02% do Produto Interno Bruto (PIB). Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (26) pelo Banco Central (BC), que destacou a solidez do cenário externo, sustentado principalmente pelos investimentos diretos no país (IDP), que totalizaram US$ 77,676 bilhões ao longo do ano.

O resultado é próximo ao registrado em 2024, quando o déficit em transações correntes foi de US$ 66,168 bilhões, representando 3,03% do PIB. Segundo o chefe do Departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha, o comportamento das contas externas refletiu o crescimento da demanda interna no início do ano, seguido por uma estabilização ao longo dos meses.

Apesar de ser o maior déficit anual desde 2014, quando alcançou US$ 110,5 bilhões, Rocha afirmou que a situação é confortável, pois o saldo negativo tem sido financiado por capitais de longo prazo. “Isso reafirma uma situação de contas externas bastante sólidas”, avaliou.

O desempenho do comércio exterior foi um dos destaques de 2025. As exportações somaram US$ 350,899 bilhões, crescimento de 3,2% em relação ao ano anterior, enquanto as importações atingiram US$ 290,947 bilhões, alta de 6,2%. Com isso, a balança comercial registrou superávit de US$ 59,952 bilhões, resultado 8,9% inferior ao de 2024, reflexo do avanço mais intenso das compras externas.

Na conta de serviços, o déficit totalizou US$ 52,940 bilhões, queda de 4,1% na comparação anual. Houve redução expressiva nas despesas com serviços culturais, pessoais e recreativos, influenciada pela mudança na legislação que enquadrou as casas de apostas online como empresas residentes. Em contrapartida, aumentaram os gastos com serviços de propriedade intelectual, telecomunicações, computação e informação, impulsionados por plataformas digitais, streaming e softwares.

As viagens internacionais também pesaram no resultado. O déficit do setor alcançou US$ 13,850 bilhões, com despesas de brasileiros no exterior superando em larga escala os gastos de estrangeiros no país. Ainda assim, o BC destacou que as receitas provenientes do turismo internacional bateram recorde histórico.

No segmento de rendas, o déficit em renda primária — que inclui remessas de lucros, dividendos e pagamentos de juros — permaneceu em US$ 81,347 bilhões, mesmo patamar de 2024. Já a renda secundária, composta por transferências unilaterais, como doações e remessas, apresentou superávit de US$ 5,543 bilhões, superior ao registrado no ano anterior.

Para financiar o déficit em transações correntes, o Brasil contou principalmente com os investimentos diretos no país, considerados a forma mais saudável de ingresso de recursos, por serem aplicados no setor produtivo e possuírem perfil de longo prazo. Além disso, houve entrada líquida de US$ 15,284 bilhões em investimentos em carteira, especialmente em títulos de renda fixa.

O fortalecimento do fluxo de capitais contribuiu para a elevação das reservas internacionais, que encerraram 2025 em US$ 358,234 bilhões, contra US$ 329,730 bilhões no fim de 2024. Para o Banco Central, o nível elevado de reservas amplia a proteção da economia brasileira contra choques externos e reforça a estabilidade do país no cenário internacional.