
O segundo dia de negociações entre Rússia, Estados Unidos e Ucrânia terminou sem progresso concreto para encerrar a guerra, enquanto Moscou lançava um dos mais intensos bombardeios das últimas semanas contra Kiev e Kharkiv, as duas maiores cidades ucranianas. Os ataques atingiram áreas residenciais e infraestrutura essencial, agravando a crise humanitária em meio ao rigor do inverno.
Segundo a Força Aérea da Ucrânia, a ofensiva incluiu mais de 20 mísseis e cerca de 400 drones. Em Kiev, uma pessoa morreu e ao menos 31 ficaram feridas. As explosões danificaram sistemas de energia e aquecimento, deixando cerca de 1,2 milhão de pessoas sem calefação em temperaturas abaixo de zero — sendo 800 mil apenas na capital. O prefeito Vitali Klitschko anunciou a instalação de abrigos aquecidos em escolas e prédios públicos.
Em Kharkiv, a menos de 30 quilômetros da fronteira russa, os ataques atingiram prédios residenciais, um abrigo para deslocados e até uma maternidade. A cidade, frequentemente bombardeada desde o início da guerra, voltou a viver cenas de pânico, com famílias buscando refúgio às pressas.
Os bombardeios ocorreram enquanto delegações dos três países se reuniam nos Emirados Árabes Unidos para tentar avançar em um acordo de paz. A principal divergência continua sendo a disputa territorial: Moscou exige que a Ucrânia ceda grandes áreas do leste do país, proposta rejeitada por Kiev. Apesar de uma nova rodada ter sido marcada para domingo, autoridades ucranianas acusaram o presidente russo, Vladimir Putin, de ordenar os ataques de forma “cínica”, classificando a ofensiva como uma demonstração de desprezo pelas negociações.
