Por: João Mateus

Estou há dias nos Estados Unidos, circulando por diferentes estados, conversando com empresários, observando a economia real e sentindo no dia a dia o efeito das decisões.
E a conclusão é objetiva, o que vem sendo chamado de taxação não é impulso do presidente, é reprecificação.
A tentativa de transformar isso em emoção política é conveniente, mas falsa. Economias não se movem por humor. Se movem por risco, custo e sobrevivência do sistema.
Durante anos a economia global operou com preços artificialmente baixos e riscos ignorados. Cadeias frágeis, dependência excessiva, crédito barato e ausência de critério criaram a ilusão de estabilidade. O risco cresceu, mas ficou fora da conta.
Agora entrou.
Quando o risco sobe, o preço sobe. Isso não é escolha ideológica, é matemática básica.
Muitos sofrem com a reprecificação. Isso é fato. Ajustes estruturais sempre produzem perdas concentradas. Não existe correção sem dor. O sistema não protege indivíduos, protege a própria continuidade.
A história é clara. Em guerras, alguns morrem para que outros sobrevivam. Não por justiça, não por moral, mas por necessidade. A economia, quando ajusta, opera sob a mesma lógica dura. Quem não suporta o novo custo fica pelo caminho.
Nos negócios, isso é elementar. Não reprecificar é assumir calote. É não selecionar cliente. É financiar risco alheio com o próprio caixa. Bancos fazem isso diariamente. Duas pessoas pedem o mesmo empréstimo e recebem taxas completamente diferentes. O critério não é intenção, é histórico.
Com países não é diferente. País também tem score.
Previsibilidade jurídica, estabilidade regulatória, respeito a contratos, risco cambial, risco logístico e risco geopolítico determinam preço. Não existe igualdade quando o risco é diferente. Existe precificação correta ou insolvência futura.
Chamar isso de crise é erro conceitual. Crise é colapso. Reprecificação é defesa. É o sistema tentando sobreviver depois de anos de complacência.
O maior risco hoje não está na tarifa. Está na incapacidade de entender o ajuste e reagir com pânico, discurso e decisões ruins. Muitas crises são fabricadas pela leitura errada da realidade.
O mundo não ficou mais caro por decisão pessoal.
Ficou mais caro porque ficou mais perigoso.
Entender isso não torna o processo confortável. Mas evita romantizar perdas, terceirizar culpa e repetir os mesmos erros que exigiram o ajuste.
Quem é João Mateus?

João Mateus é empresário e estrategista, com atuação no Brasil e nos Estados Unidos. Trabalha desde os 13 anos e consolidou sua trajetória no setor logístico a partir de 2004, atuando em projetos estruturais relevantes no Brasil e na América do Sul.
Ao longo de sua carreira, teve participação direta e indireta na implantação da matriz eólica do Rio Grande do Sul, do Nordeste brasileiro, da Argentina e do Uruguai, sendo pioneiro na logística de transporte de equipamentos de aerogeradores, especialmente pás eólicas. Foi presidente do Sindieólica e esteve envolvido em operações ligadas à infraestrutura de portos, estradas e estudos de viabilidade geométrica e estrutural.
No contexto da expansão da matriz eólica, realizou missões técnicas e comerciais na Alemanha e na Espanha, além de participar das maiores feiras internacionais em diversos setores, sempre com foco na atração de investimentos e no fortalecimento da economia gaúcha. Esse movimento contribuiu para a atração de empresas ao Rio Grande do Sul, algumas das quais implantaram fábricas no estado, gerando empregos e fortalecendo a cadeia industrial local e nacional.
Na Argentina, foi responsável pela logística da renovação do metrô de Buenos Aires, durante o período de transição entre os governos de Cristina Fernández de Kirchner e Mauricio Macri, realizando mais de 200 viagens operacionais. No Brasil, teve atuação central no Projeto Rio Madero, na região de Porto Velho, com mais de 2.000 viagens, estruturando a logística que levou empresas da região de Horizontina a novos mercados em um período de forte crise do setor agrícola.
Esse movimento contribuiu para a manutenção de associações de transportadoras locais, deu visibilidade nacional a operadores regionais e transformou o padrão logístico da região, inserindo no mercado empresas que hoje se destacam no cenário nacional e internacional no transporte de máquinas e equipamentos.
Teve participação ativa em grandes projetos industriais e estruturais no Brasil, incluindo o uso do polo naval de Charqueadas e a reorganização de empresas locais após o declínio do setor. No campo institucional e internacional, atuou como cônsul honorário temporário do Marrocos, liderando comitivas de empresários gaúchos e promovendo relações comerciais entre os países.
Na área cultural e de comunicação, foi apresentador de televisão do programa de empreendedorismo “Vai Lá e Faz”, ampliando sua projeção pública ao tratar de empreendedorismo, negócios e iniciativa prática. Em Gramado, teve atuação direta no setor de entretenimento, com participação na empresa Super Carros, onde disponibilizou veículos para locação em experiências automotivas, ampliando sua visibilidade pública em um dos principais polos turísticos do país.
Foi atleta e campeão de moto aquática, representando o Rio Grande do Sul e o Brasil em competições internacionais. Ao longo da vida empresarial, empregou mais de 500 pessoas e fundou o primeiro aplicativo de transporte de carros de luxo do Rio Grande do Sul.
Sempre movido pelo empreendedorismo, hoje atua na assessoria e administração de empresas em situação de queda, apoiando processos de reorganização, governança, previsibilidade financeira e retomada sustentável, com base na experiência prática acumulada ao longo de ciclos de crescimento, quebra e reconstrução.
Com 44 anos, é casado e pai de uma filha.
