Venezuela anuncia liberação de mais de 400 presos em gesto político, mas ONGs contestam dados

Foto: REUTERS/Gaby Oraa

O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, afirmou nesta terça-feira que o governo já libertou mais de 400 presos desde o fim de 2024, em um processo que seria parte de um gesto político para promover a convivência pacífica do país após episódios de conflito político interno e a captura do presidente Nicolás Maduro pelos Estados Unidos.

Rodríguez afirmou que a medida inclui pessoas que, segundo ele, violaram a lei ou a Constituição, e que as ações seriam parte de uma estratégia governamental para reduzir tensões. O anúncio ocorrem sem que o governo tenha divulgado uma lista oficial de nomes ou detalhado quem exatamente integra o grupo de libertados.

Divergência sobre os números

Organizações de defesa dos direitos humanos e representantes da oposição venezuelana contestam a versão oficial. Grupos como a ONG Foro Penal calculam que o número de libertações confirmadas é bem menor — estimando entre 56 e 76 solturas em relatos recentes — e apontam discrepâncias nas informações oficiais.

A discrepância nas cifras reforça críticas frequentes à falta de transparência nas ações do governo em relação a detentos considerados presos políticos por grupos civis e opositores, que ainda estimam que centenas de pessoas permaneçam encarceradas por razões políticas.

Reações e contexto

Líderes da oposição e familiares de presos têm exigido a publicação de dados detalhados para verificar exatamente quem foi libertado e sob que critérios. A ONG Foro Penal e a Plataforma Unitária Democrática afirmam que muitos detidos ainda aguardam soltura, e a lentidão e a falta de informações alimentam dúvidas sobre o alcance real das medidas anunciadas.

O episódio acontece em meio a um cenário político tenso no país, com pressões internas e internacionais para a libertação de detentos e debates sobre a natureza das prisões, com o governo negando que mantenha presos por motivos políticos e afirmando que todos os detidos foram acusados de crimes específicos.