Novo ciclo tricolor

Com pouco tempo de preparação, o treinador inicia a construção do seu modelo de jogo no Grêmio. FOTO: LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA

Vem aí a estreia de uma competição que promete agitar — e até mudar — a forma como o torcedor enxerga o início de temporada do Grêmio. Em meio a um calendário cada vez mais apertado, à reformulação da comissão técnica e à implementação de um novo método de trabalho, 2026 começa exigindo respostas rápidas. Cada partida inicial ganha peso não apenas pelo resultado, mas pelos sinais que deixa sobre o caminho que o clube pretende seguir ao longo do ano.

A largada será em Santa Cruz, diante do Avenida, um palco tradicionalmente complicado e que cobra atenção máxima desde o primeiro minuto. Mais do que o adversário, a expectativa recai sobre a estratégia do mister na casa-mata tricolor: como o time vai se comportar taticamente, a forma de gerir o elenco e as primeiras leituras de jogo em um contexto de mudanças profundas e pressão por desempenho imediato.

Ainda assim, é fundamental manter os pés no chão. São menos de dez dias de trabalho, com um grupo que retorna de férias e passa por um processo natural de retomada física e de ritmo. O treinador precisa de tempo para inserir sua metodologia no dia a dia do clube, ajustar conceitos, observar alternativas e construir identidade, algo que não se consolida da noite para o dia.

A filosofia é claramente diferente da de Mano, mais intensa e com outras ideias de ocupação de espaço e dinâmica de jogo, o que vem agradando nos treinamentos. Os jogadores compraram a proposta e demonstram entusiasmo, mas o futebol, como sempre, se confirma na prática. Com cautela, paciência e leitura correta do processo, o torcedor pode esperar evolução. A estreia abre a temporada, mas o verdadeiro campeonato será o da construção ao longo do ano.