
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou nesta segunda-feira (29) que forças americanas realizaram o primeiro ataque terrestre em território venezuelano desde o início da ofensiva militar lançada por Washington sob o argumento de combate ao narcotráfico na América Latina. Segundo o chefe da Casa Branca, a ação teve como alvo uma zona de atracação de embarcações que, de acordo com o governo americano, era utilizada para o transporte de drogas.
Em declaração a jornalistas, Trump afirmou que o ataque provocou uma grande explosão e resultou na destruição completa da estrutura portuária. De acordo com ele, embarcações que estariam ligadas ao tráfico também foram atingidas. O presidente já havia mencionado a operação em uma entrevista concedida dias antes a uma emissora de rádio, mas esta foi a primeira confirmação pública de uma ação em solo venezuelano.
Apesar do anúncio, autoridades americanas mantiveram cautela. Procurados pela imprensa internacional, representantes do Pentágono, da Agência Central de Inteligência (CIA) e da própria Casa Branca disseram não ter informações adicionais para comentar. Caso a versão apresentada por Trump se confirme, trata-se do primeiro ataque em terra conhecido desde o início da campanha militar direcionada à Venezuela.
A ofensiva ocorre após o presidente americano ter prometido uma ação terrestre contra Caracas, sem detalhar quando ou como ela aconteceria. Ao longo de 2025, a Venezuela passou a ocupar posição central na política externa de Washington, tornando-se alvo de uma estratégia de pressão militar e econômica sem precedentes recentes.
Os Estados Unidos mobilizaram uma força expressiva na região do Caribe, incluindo navios de guerra, porta-aviões, submarinos nucleares, drones e bombardeiros. Sob a justificativa de combater o narcotráfico, Washington também realizou ataques em águas internacionais, alegando que embarcações atingidas transportavam drogas com destino ao mercado americano. Segundo dados divulgados por autoridades, mais de 25 ações desse tipo teriam sido realizadas, com ao menos 95 mortes.
Além da ofensiva militar, o governo Trump intensificou sanções econômicas contra a Venezuela, determinando o bloqueio e o confisco de petroleiros que operem sob sanções internacionais. Para Washington, a comercialização de petróleo estaria sendo usada pelo governo venezuelano para financiar atividades criminosas, como tráfico de drogas, de pessoas e ações armadas.
Apesar do discurso oficial, analistas e observadores internacionais apontam que a estratégia americana pode ter um objetivo político mais amplo: enfraquecer ou provocar a saída do presidente venezuelano Nicolás Maduro do poder. Segundo a imprensa dos Estados Unidos, Trump teria mantido contatos diretos com Maduro, mas sem demonstrar disposição para concessões.
As ações americanas vêm sendo alvo de duras críticas internacionais. Especialistas ligados ao Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) afirmaram recentemente que o bloqueio naval imposto pelos EUA configura uso ilegal da força e viola normas do direito internacional. Para os relatores, a medida se enquadra como agressão armada, conforme definições aprovadas pela Assembleia Geral da ONU.
Em reunião recente do Conselho de Segurança, Rússia e China condenaram a postura de Washington, classificando a ofensiva como intimidação e comportamento fora dos padrões diplomáticos. O embaixador venezuelano na ONU, Samuel Moncada, também criticou duramente os Estados Unidos, afirmando que o país age à margem da legalidade internacional e tenta impor mudanças políticas pela força.
O episódio amplia a tensão entre Washington e Caracas e reacende o debate sobre os limites das ações militares unilaterais e seus impactos na estabilidade regional e no sistema internacional.
