Pezzolano chega para consertar, não para encantar

Aos 42 anos, o uruguaio chega para comandar o Colorado em 2026 com a missão de organizar o caos, impor intensidade e iniciar um novo ciclo no Beira-Rio.

Paulo Pezzolano, 42 anos, é o novo técnico do Inter e, dentro do contexto atual, a escolha faz sentido. Não é um nome que faça o torcedor soltar fogos pela cidade, mas também não é disso que o clube precisa agora. Depois de uma temporada que flertou com a loucura e a depressão coletiva da torcida, o Inter precisava de alguém capaz de organizar o caos, mais do que vender ilusões.

A passagem de Pezzolano pelo Cruzeiro é o argumento mais sólido a seu favor. Em 2022, com um elenco limitado, ele montou um time competitivo, intenso e campeão com sobras da Série B, superando adversários tradicionais. Seu perfil lembra o de Eduardo Coudet: um técnico inquieto, cobrador, obcecado por intensidade e pouco tolerante com desvios de foco. Não é um treinador de discursos vazios, mas de método, exigência e confronto diário com o jogador.

E talvez seja exatamente disso que o Inter precise. Pezzolano não promete encantamento imediato, mas entrega trabalho duro, padrão de jogo e transformação a partir da cobrança. Em um clube que precisa reaprender a competir antes de voltar a sonhar alto, a aposta não é romântica, é pragmática. E, neste momento, pragmatismo pode ser a virtude mais importante no Beira-Rio.