
Em reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável (Conselhão), nesta quinta-feira (4), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu que o colegiado avance no debate sobre a redução da jornada de trabalho no país. Lula defendeu o fim da escala 6×1, afirmando que os avanços tecnológicos elevaram a produtividade sem resultar em melhores condições para os trabalhadores. Segundo ele, a modernização das indústrias evidencia que é possível reduzir a carga semanal de 44 para 40 horas, seguindo o exemplo de países que já adotaram jornadas mais curtas.
O presidente também solicitou que o Conselhão prepare propostas mais duras para o enfrentamento ao feminicídio e à pedofilia, destacando a necessidade de respostas mais eficazes diante da escalada de violência contra mulheres. No encontro, Lula citou casos recentes de brutalidade e afirmou que crimes desse tipo não podem ser tratados de maneira comum pelo sistema de Justiça.
Ao tratar de economia, Lula criticou a visão de que investimentos sociais representam gasto excessivo e reiterou que especulações sobre déficit fiscal não correspondem à realidade. Ele defendeu que o país não pode limitar suas políticas públicas às restrições impostas por retóricas sobre teto de gastos, mencionando que grandes economias não adotam esse modelo de contenção.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reforçou que o governo deve encerrar o mandato com déficit fiscal muito menor que o das duas gestões anteriores e destacou que a inflação será a mais baixa da história nacional em um período de quatro anos. Segundo ele, a combinação de desemprego em queda e inflação controlada reflete um cenário econômico mais equilibrado.
Lula também criticou a derrubada dos seus vetos ao projeto que altera regras do licenciamento ambiental, alertando que a mudança pode prejudicar exportações brasileiras. Para o presidente, a decisão do Congresso ignora riscos comerciais e ambientais que podem afetar setores como o agronegócio.
Mesmo diante de divergências, Lula afirmou que a relação com o Legislativo permanece estável, embora tenha voltado a criticar a concentração de recursos nas emendas impositivas. O presidente classificou a prática como um erro histórico, defendendo que mudanças só ocorrerão com nova composição política.
