Rússia lança ofensiva aérea mais intensa em mais de um mês contra a Ucrânia; ataques ocorrem em meio a nova rodada de negociações de paz nos EUA

Foto: REUTERS/Valentyn Ogirenko

A Ucrânia enfrentou, entre a noite de sexta-feira (28) e a madrugada deste sábado (29), o maior ataque aéreo russo em mais de um mês. Segundo o presidente Volodymyr Zelensky, ao menos três pessoas morreram e dezenas ficaram feridas após o lançamento de cerca de 36 mísseis e quase 600 drones contra diversas regiões do país.

A capital, Kiev, foi uma das áreas mais atingidas e amanheceu parcialmente às escuras. O Ministério da Energia informou que mais de 600 mil consumidores ficaram sem eletricidade no início da manhã, embora parte do abastecimento tenha sido restabelecida ao longo do dia.

De acordo com as autoridades locais, duas das vítimas fatais — entre elas um homem de 42 anos — estavam na capital. A terceira, uma mulher de 74 anos, morreu em uma cidade da região de Kiev. As explosões também deixaram feridos, incluindo uma criança.

A Força Aérea da Ucrânia afirmou ter derrubado a maior parte dos projéteis, principalmente drones Shahed, de fabricação iraniana, e modelos russos de longo alcance. Apesar disso, instalações energéticas e áreas residenciais foram gravemente danificadas, com incêndios e destruição de prédios.

A extensão do ataque levou a Polônia a mobilizar jatos e sistemas de defesa aérea, em medida considerada preventiva pelas Forças Armadas polonesas.

Ofensiva coincide com fase sensível das negociações de paz

O ataque ocorreu justamente quando uma delegação ucraniana viajava aos Estados Unidos para discutir o plano de paz apresentado pelo presidente americano, Donald Trump. As conversas serão conduzidas por Rustem Umerov, secretário do Conselho Nacional de Segurança e Defesa, que assumiu a liderança das negociações após a renúncia de Andriy Yermak, principal assessor de Zelensky, investigado por corrupção.

Zelensky afirmou que os diálogos darão continuidade às tratativas realizadas recentemente em Genebra, após ajustes feitos em uma proposta inicial do governo americano que havia sido criticada por favorecer Moscou.

Washington também prepara o envio de representantes a Moscou na próxima semana, para negociações diretas com o presidente Vladimir Putin. O líder russo disse que a proposta revisada dos EUA pode servir de base para futuras conversas, mas reiterou que só aceitará um acordo se Kiev abrir mão de áreas atualmente ocupadas pela Rússia no leste ucraniano. Caso contrário, afirmou, Moscou pretende alcançar seus objetivos “por meios militares”.

Restauração parcial da energia

A empresa DTEK, maior fornecedora privada de energia da Ucrânia, informou que conseguiu restabelecer a eletricidade a cerca de 360 mil famílias ao longo do dia, mas alertou que o sistema permanece vulnerável após sucessivos ataques às infraestruturas críticas do país.