
O Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre realizou o primeiro transplante de membrana amniótica em uma criança após a incorporação oficial da técnica pelo Ministério da Saúde ao SUS. O procedimento, realizado na sexta-feira (14), marca um avanço no tratamento de queimaduras no Brasil e inaugura um novo fluxo estruturado para uso da terapia regenerativa em casos pediátricos e adultos. A membrana, coletada durante o parto, possui propriedades anti-inflamatórias, antimicrobianas e cicatrizantes, oferecendo proteção e acelerando o processo de recuperação.
A técnica, antes aplicada apenas em situações emergenciais e sem regulamentação, passou a ter protocolo definido após a atualização do Sistema Nacional de Transplantes em 2025. Porto Alegre tornou-se a primeira capital do país a estruturar todo o processo — da captação ao uso clínico — em parceria com o Banco de Tecidos da Santa Casa, que já realizou 12 coletas desde outubro.
O primeiro paciente pediátrico é uma criança de 1 ano, de Mostardas, com queimaduras provocadas por óleo quente. Diante da gravidade, o transplante foi indicado nas primeiras 24 horas, reduzindo riscos e a necessidade de curativos repetidos. A equipe multidisciplinar responsável pelo procedimento destacou que a terapia amplia as alternativas de cobertura de pele com menor custo e maior segurança, substituindo técnicas tradicionais, mais caras ou invasivas.
O transplante no HPS foi o quinto realizado em Porto Alegre desde a regulamentação. A terapia já vem sendo usada também pela Santa Casa e pelo Hospital Cristo Redentor, antecipando as diretrizes federais, que estabelecem prazo de 180 dias para implementação nos serviços de saúde. Especialistas afirmam que a técnica melhora significativamente indicadores clínicos, como dor, cicatrização, risco de infecção e tempo de internação.
Segundo a equipe pediátrica, queimados costumam permanecer internados 1,3 dia para cada 1% da superfície corporal atingida. Com a membrana amniótica, esse período pode ser reduzido em até nove dias. No caso atual, a expectativa é que a criança receba alta antes do décimo dia, caso a evolução continue positiva.
