
A prévia da inflação oficial de janeiro, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), ficou em 0,20%, mostrando desaceleração em relação aos 0,25% registrados em dezembro. O resultado foi divulgado nesta terça-feira (23) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e reflete principalmente a queda na conta de luz e nas passagens aéreas.
Com esse desempenho, o IPCA-15 acumula alta de 4,5% em 12 meses, atingindo o teto da meta de inflação do governo, que é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Em dezembro, o acumulado estava em 4,41%.
Entre os nove grupos de produtos e serviços pesquisados, apenas habitação (-0,26%) e transportes (-0,13%) registraram queda nos preços. A principal influência negativa veio da energia elétrica residencial, que recuou 2,91%, contribuindo com impacto de -1,2 ponto percentual no índice do mês. A redução está ligada à mudança da bandeira tarifária de amarela para verde, eliminando a cobrança adicional na conta de luz.
No grupo transportes, a queda foi puxada principalmente pelas passagens aéreas, que ficaram, em média, 8,92% mais baratas. Também houve recuo nas tarifas de ônibus urbano (-2,79%), com destaque para Belo Horizonte, onde a adoção da tarifa zero aos domingos e feriados derrubou os preços em 18,26%.
Por outro lado, os combustíveis subiram 1,25% e exerceram pressão sobre a inflação. O etanol liderou as altas, com avanço de 3,59%, seguido por gasolina (1,01%), gás veicular (0,11%) e óleo diesel (0,03%). A gasolina teve o maior impacto individual no índice, com 0,05 ponto percentual. A expectativa, no entanto, é de recuo nos próximos meses após o anúncio de redução de 5,2% no preço do combustível vendido às distribuidoras pela Petrobras.
O grupo alimentação e bebidas apresentou alta de 0,31%, acima dos 0,13% registrados em dezembro. A alimentação no domicílio interrompeu uma sequência de sete meses de queda e subiu 0,21%, influenciada principalmente por aumentos no tomate (16,28%), batata-inglesa (12,74%), frutas (1,65%) e carnes (1,32%). Em contrapartida, quedas nos preços do leite longa vida (-7,93%), arroz (-2,02%) e café moído (-1,22%) evitaram uma pressão ainda maior.
Os demais grupos apresentaram variações positivas, como saúde e cuidados pessoais (0,81%), comunicação (0,73%), artigos de residência (0,43%), despesas pessoais (0,28%), vestuário (0,28%) e educação (0,05%).
O IPCA-15 segue metodologia semelhante à do IPCA, a inflação oficial usada como referência para a política de metas do governo. A principal diferença está no período de coleta e na abrangência geográfica. Nesta divulgação, os preços foram coletados entre 13 de dezembro de 2025 e 14 de janeiro de 2026, em 11 regiões metropolitanas do país. O resultado do IPCA cheio de janeiro será divulgado no dia 10 de fevereiro.
