Diagnósticos de câncer de pele disparam no Brasil e acendem alerta para prevenção e acesso à saúde

Foto: Agência Brasil/Fernando Frazão

O número de diagnósticos de câncer de pele no Brasil registrou um crescimento expressivo na última década, saltando de pouco mais de 4 mil casos em 2014 para mais de 72 mil em 2024. O avanço acendeu o alerta de especialistas para a necessidade de fortalecer políticas de prevenção, ampliar o acesso ao diagnóstico precoce e reduzir desigualdades regionais no atendimento à saúde.

Dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) indicam que a incidência da doença apresenta um padrão regional bem definido. Os estados do Sul e do Sudeste concentram as maiores taxas, impulsionados por fatores como maior exposição à radiação solar, predominância de pessoas de pele clara e envelhecimento populacional. Em 2024, a média nacional foi de 34,27 casos por 100 mil habitantes, com destaque para Espírito Santo e Santa Catarina, que lideraram o ranking.

Embora as regiões Norte e Nordeste ainda apresentem índices mais baixos, alguns estados vêm mostrando crescimento acelerado. Rondônia e Ceará, por exemplo, registraram taxas elevadas, indicando avanço na identificação dos casos. Para a SBD, parte desse aumento também está ligada à melhoria na notificação e na vigilância epidemiológica, especialmente após a adoção de critérios mais rigorosos no registro de exames laboratoriais a partir de 2018.

A ampliação dos diagnósticos trouxe à tona outro desafio: a desigualdade no acesso ao atendimento especializado. Usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) enfrentam mais dificuldades para agendar consultas com dermatologistas quando comparados aos pacientes da rede privada. Esse cenário compromete o diagnóstico precoce, etapa fundamental para aumentar as chances de cura e reduzir a necessidade de tratamentos mais invasivos.

Apesar da recuperação no número de consultas dermatológicas no SUS após a pandemia, o volume ainda é significativamente inferior ao registrado na saúde suplementar. Enquanto a rede pública realizou cerca de 4 milhões de atendimentos em 2024, o setor privado superou a marca de 10 milhões, o que amplia as chances de detecção precoce de lesões suspeitas entre os beneficiários de planos de saúde.

A desigualdade também se reflete na oferta de serviços de alta complexidade. Estados como São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul concentram a maior parte dos centros especializados em oncologia dermatológica. Já em regiões mais afastadas, como Acre, Amazonas e Amapá, a escassez de unidades especializadas obriga pacientes a percorrer longas distâncias em busca de tratamento, o que pode atrasar o início da terapia.

Esse atraso impacta diretamente a evolução da doença. Nas regiões Sul e Sudeste, o início do tratamento costuma ocorrer em até 30 dias após o diagnóstico. No Norte e Nordeste, a espera frequentemente ultrapassa dois meses, elevando o risco de agravamento do quadro, especialmente nos casos mais agressivos, como o melanoma.

Diante desse cenário, a SBD defende a adoção de medidas urgentes, como o fortalecimento das ações de prevenção, ampliação da oferta de consultas dermatológicas na rede pública e garantia de acesso ao protetor solar. A entidade também articula junto ao Congresso Nacional a inclusão do filtro solar na lista de itens essenciais da Reforma Tributária, com o objetivo de reduzir custos e ampliar o acesso da população ao produto.

Além disso, os dados foram encaminhados a parlamentares para subsidiar a regulamentação da Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer no SUS. A expectativa é que essas iniciativas contribuam para conter o avanço da doença e promover um atendimento mais justo e eficiente em todo o país.