Parlamento Europeu suspende acordo comercial com EUA após ameaças tarifárias de Trump

Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein

O Parlamento Europeu decidiu suspender a tramitação do acordo comercial firmado com os Estados Unidos em 2025, em reação às recentes ameaças do presidente norte-americano, Donald Trump, envolvendo tarifas e a possível anexação da Groenlândia. A informação foi confirmada nesta terça-feira (20) por lideranças do bloco, que classificaram a postura de Washington como um fator de instabilidade nas relações transatlânticas.

A decisão ocorre após Trump anunciar a intenção de impor tarifas iniciais de 10% sobre produtos de países europeus que se oponham aos planos dos Estados Unidos de adquirir a Groenlândia, território autônomo ligado à Dinamarca. Segundo o presidente americano, as taxas poderiam subir para 25% em meados de 2026, atingindo economias como Alemanha, França, Reino Unido, Suécia e Holanda.

Autoridades europeias reagiram com críticas à estratégia americana. O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, classificou as ameaças como uma forma de “chantagem” e afirmou que o uso de tarifas para pressionar decisões políticas representa uma escalada injustificável. Ele defendeu que a União Europeia utilize instrumentos comerciais e diplomáticos para responder às ações dos EUA.

O acordo comercial entre União Europeia e Estados Unidos havia sido firmado em julho do ano passado e previa tarifas de 15% sobre a maioria dos produtos europeus exportados aos EUA, enquanto o bloco europeu se comprometia a reduzir parte das taxas aplicadas a mercadorias americanas. O tratado, no entanto, ainda dependia de aprovação formal do Parlamento Europeu e dos governos nacionais para entrar em vigor.

Com a suspensão, a União Europeia volta a considerar medidas de retaliação, que podem incluir tarifas sobre produtos americanos estimadas em até 93 bilhões de euros, além de possíveis restrições ao acesso de empresas dos EUA ao mercado europeu.

A tensão também envolve a Groenlândia, região estratégica no Ártico. Trump tem defendido a incorporação do território aos Estados Unidos, alegando interesses de segurança nacional, rotas marítimas e exploração de recursos naturais. A proposta gerou forte reação de países europeus, que reiteraram o respeito à soberania dinamarquesa e anunciaram o reforço da segurança na região em coordenação com a Otan.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a soberania da Groenlândia é “inegociável” e alertou que disputas comerciais entre aliados representam um erro estratégico em um cenário global já marcado por tensões geopolíticas. Protestos contra a posição americana também foram registrados nos últimos dias tanto na Groenlândia quanto em Copenhague.