Acordo Mercosul–UE amplia perspectivas para a agricultura familiar brasileira

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil

O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia deve abrir novas oportunidades para a agricultura familiar no Brasil, especialmente para produtores de café, frutas e laticínios. A avaliação foi apresentada pelo ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, ao comentar os possíveis efeitos do tratado sobre pequenos produtores rurais.

Segundo o ministro, a produção de café no país é majoritariamente realizada por agricultores familiares, que poderão se beneficiar da redução ou eliminação de tarifas para a venda do produto já processado no mercado europeu. A expectativa é de que o acesso a um mercado com maior poder de compra estimule a diversificação e agregação de valor à produção.

Além do café, frutas como açaí, manga, uva e melão aparecem entre os itens com maior potencial de exportação. A ampliação do comércio com a União Europeia pode favorecer cadeias produtivas regionais e incentivar investimentos em qualidade, logística e certificações exigidas pelo mercado externo.

O setor de laticínios também é apontado como promissor. Queijos artesanais, como os produzidos em regiões tradicionais de Minas Gerais, a exemplo da Serra da Canastra, podem ganhar espaço fora do país, desde que atendam aos padrões sanitários e comerciais internacionais. Para o ministro, o intercâmbio comercial tende a ser de mão dupla, com entrada de produtos europeus no Brasil e maior presença de alimentos brasileiros no exterior.

Paulo Teixeira destacou ainda que o crescimento da agricultura familiar está associado ao aumento dos investimentos em crédito rural, assistência técnica e mecanização de pequeno porte. De acordo com ele, a ampliação da renda da população tem impacto direto no consumo de alimentos, o que fortalece o mercado interno e estimula a produção.

O ministro afirmou que órgãos como a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) podem auxiliar agricultores familiares a acessar novos mercados, inclusive por meio de apoio técnico e institucional no exterior. Ele também antecipou que novas políticas públicas devem ser anunciadas para aproximar a agricultura familiar de centros de pesquisa, universidades e da Embrapa, com foco na permanência de jovens no campo.

Outro ponto mencionado foi a expectativa de anúncios relacionados à reforma agrária, com a previsão de medidas que envolvem desapropriação de terras, crédito, assistência técnica e estímulo à organização produtiva por cooperativas, além do acesso a programas de compras públicas.