
O cinema brasileiro conquistou mais um reconhecimento de peso no cenário internacional. Neste domingo (11), o longa “O Agente Secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho, venceu o Globo de Ouro de melhor filme em língua não inglesa, durante cerimônia realizada em Los Angeles.
A produção superou concorrentes considerados fortes favoritos, como Foi Apenas Um Acidente, do iraniano Jafar Panahi, além de filmes da França, Coreia do Sul, Noruega, Tunísia e Espanha. O prêmio consolida o prestígio do diretor pernambucano no circuito internacional.
Protagonizado por Wagner Moura, o filme é o terceiro ligado ao Brasil a conquistar a estatueta na categoria. O feito havia sido alcançado anteriormente por Orfeu Negro (1960), dirigido por Marcel Camus, e Central do Brasil (1998), de Walter Salles.
Ambientado em 1977, em plena ditadura militar, O Agente Secreto acompanha a história de Marcelo, um professor de tecnologia que tenta recomeçar a vida ao se mudar de São Paulo para Recife. Cercada por uma atmosfera de mistério, a narrativa se desenrola durante o Carnaval e revela uma trama de perseguição, vigilância e violência, que leva o protagonista a se ver preso em uma emboscada inesperada.
O Longa metragem teve orçamento total de R$ 27 milhões, segundo informações confirmadas pela Agência Nacional do Cinema (Ancine). Além do aporte de R$ 7,5 milhões do Fundo do Setor Audiovisual (FSA), o projeto contou com investimentos privados para viabilizar a produção do longa-metragem.
A obra é resultado de uma coprodução internacional com empresas da França, Alemanha e Holanda. Esse modelo, além de ampliar o orçamento disponível, também contribui para facilitar a circulação e a exibição do filme em outros países, ampliando o alcance internacional da produção brasileira.
Os recursos do FSA foram obtidos por meio de um edital público em regime de concurso, o “Produção Cinema Vias Distribuidora 2023”, lançado em abril de 2023. A lista de projetos contemplados foi divulgada em dezembro do mesmo ano. O processo foi viabilizado pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), agente financeiro do fundo, em parceria com a Ancine.
Ao todo, o edital destinou cerca de R$ 99,9 milhões a 21 projetos audiovisuais, conforme relatórios oficiais. Entre os filmes beneficiados pela mesma linha de financiamento estão “A Sogra Perfeita 2” (R$ 5,5 milhões), “Escola Sem Muros” (R$ 7,5 milhões) e “Geni e o Zepelim” (R$ 7,5 milhões).
Criado pela Lei nº 11.437, de 2006, o Fundo do Setor Audiovisual tem como objetivo fomentar toda a cadeia produtiva do audiovisual brasileiro. O FSA integra o Fundo Nacional de Cultura (FNC), mas utiliza fontes de recursos próprias, distintas daquelas operadas pela Lei Rouanet.
Diferentemente de subsídios a fundo perdido, o apoio do FSA ocorre por meio de investimentos retornáveis. No caso de “O Agente Secreto”, o edital prevê contrapartida financeira, garantindo ao fundo participação nos resultados da exploração comercial do filme, caso a obra gere receita no mercado nacional ou internacional.
